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BRASIL

Papo Firme

DESPEDIDA

Meus amigos,

Após retornar da viagem realizada para comemorar quarenta anos de casado e os sessenta da minha mulher, ainda tive tempo de votar no segundo turno das eleições presidenciais. Infelizmente, o resultado foi o que todos nós sabemos. Cerca de 60% dos eleitores preferiram ignorar as barbaridades que vêm sendo cometidas ou permitidas por este governo, dando a eles mais quatro anos no poder. A meu ver, essa decisão foi lamentável, pois significa pelo menos oito anos de perda de tempo rumo ao desenvolvimento sustentado e à modernização do país.

Infelizmente, o populismo irresponsável resultou nos votos daqueles que são as vítimas permanentes desses espertalhões que se fingem de defensores dos pobres para enriquecer. É triste a gente ver a mentira e o desprezo à ética saírem vencedores com números tão consagradores. Para que se construa uma nação sadia, em que a sociedade adote valores que possibilitem a conquista de um patamar mais elevado de bem estar social, justiça e respeito às instituições, é preciso banir da vida pública políticos medíocres como os que têm se aproveitado do país ultimamente.  É preciso colocar no poder pessoas que tenham consciência de que ocupar cargos públicos não significa que elas sejam donas do país, mas sim servidoras dos cidadãos que pagaram impostos para dispor de serviços públicos de qualidade. Gente que tenha consciência de que o fornecimento da educação pelo Estado é o caminho que leva à redução das diferenças sociais e que a esmola que atualmente é concedida apenas eterniza essas diferenças.

Infelizmente, estamos longe de sentir a realização de algum esforço nessa direção, especialmente vindo de um governo que se caracteriza por se servir do poder no pior sentido que se possa imaginar e que, com isso, contribui para o descrédito nas instituições democráticas. Como conseqüência, vamos ficando para trás. Ao invés de continuarmos o processo de privatizações, ficamos contestando as privatizações feitas, apesar de todas as evidências do acerto em fazê-las. Ao invés de diminuir o tamanho e o custo do Estado, que têm contribuído decisivamente para dificultar o crescimento da nossa economia, ficamos assistindo esse governo agir para aumentá-los.

Amigos, cheguei à conclusão de que não adianta eu ficar escrevendo posts com essas opiniões, até porque a grande maioria dos seus leitores também tem esse mesmo entendimento. Resta então pedir a Deus que ilumine os nossos dirigentes para que suas ações daqui para frente não sejam tão danosas ao nosso país, para que um dia a gente possa se orgulhar de viver num país justo, onde as pessoas de bem possam se dar melhor do que os picaretas que atualmente têm um campo livre para agir. Sei que isto não vai ocorrer na minha geração. Provavelmente, também não ocorrerá durante a geração do meu filho. Mas, tomara que ocorra na geração da minha neta. De uma coisa, porém, estou certo: um dia isso vai acontecer, pois o Brasil é um país maravilhoso, que tem superado toda uma série de desmandos ao longo da maior parte da sua história e crescido, apesar de tudo.

Com esta declaração de fé no nosso país, quero me despedir dos amigos que fiz durante o tempo que editei o AZIMUTH, agradecendo a todos pelos comentários recebidos ao longo desses meses, seja quanto ao nosso tema principal – o Brasil e seus problemas , seja quanto às demais seções do blog. Quero também agradecer ao meu filho que me estimulou a criar o blog e foi o responsável pela sua apresentação visual. Acho que o período de duração do AZIMUTH foi muito proveitoso para mim por várias razões, e me deu a sensação de estar de alguma forma sendo útil à sociedade, mesmo que isso não tenha sido uma realidade.

A  vocês, muito obrigado. Estarei à disposição de todos por e-mail.

Um forte abraço.

ATÉ BREVE

Prezados amigos,

Por motivo de viagem, interromperemos temporariamente a edição de posts no AZIMUTH. Durante 48 semanas emitimos textos nos quais externamos a nossa opinião sobre os mais diversos assuntos. Nunca tivemos a pretensão de pensar que estivéssemos publicando a verdade absoluta. Fizemos, isto sim, a questão de publicar o que imaginamos ser o melhor para o nosso país. Muitos de vocês concordaram conosco. Outros contestaram. Isso nos fez avaliar melhor as nossas crenças, o que foi muito útil para nós. Gostaríamos de nos desculpar com muitos de vocês, por não ter respondido aos seus comentários. Isso ocorreu por absoluta falta de tempo, nunca por não dar o devido valor às contribuições recebidas.

Queremos deixar registrada a nossa satisfação por termos feito muitos novos amigos por meio do AZIMUTH e dizer que será um motivo de muita alegria poder estar com esses amigos ao vivo e a cores. Tomara que surjam as oportunidades!

Nosso tema principal durante todo esse tempo foi o Brasil, seus problemas e o que pensamos ser a solução para eles. A vida continua e os problemas também. Deus queira que pelo menos uma parte deles seja resolvida num futuro bem próximo, para o bem de todos, inclusive daqueles que vão votar iludidos por promessas eleitoreiras. É o nosso desejo.

Até breve, amigos. 

SUCESSÃO DE ESCÂNDALOS

Depois dos casos dos mensaleiros, dos sanguessugas e de  vários outros menos badalados, estamos tomando conhecimento de um novo episódio deplorável envolvendo a nossa política. Osvaldo Pereira, candidato ao governo de Goiás pelo PSL, foi flagrado vendendo o tempo que o seu partido tem no horário eleitoral gratuito até o final do período relativo ao 1º turno, como mostrou com som e imagem o Fantástico de ontem. Na denúncia, o candidato, declara que é o dono do partido, pois comprou o PSL em Goiás. “Partidos emergentes a gente compra”. O valor pedido foi de R$1,3 milhão, à vista, sendo R$1,0 milhão pago em dólares e o restante em dinheiro vivo, em reais. Uma ver-go-nha! Há partidos que são meros rótulos, atrás dos quais se esconde um balcão de negócios podres. E haja podridão.

É preciso que aconteça uma ampla mudança nas práticas políticas vigentes no país, pois uma grande parte dos atores em exercício não tem o mínimo de ética e de princípios, aproveitando-se das regras vigentes. O registro de partidos devia ter critérios mais apertados, para impedir a livre atuação de picaretas. Os partidos que passassem por este crivo deviam ser co-responsáveis nos casos de falcatruas cometidas por seus membros, para que tivessem mais cuidado na escolha dos seus candidatos. Outro ponto essencial devia ser o impedimento da posse dos eleitos que estivessem respondendo a processos na Justiça, com provas claras de desvio de conduta. Nos últimos dias, a Justiça Eleitoral deu vários sinais de que pretende impugnar candidaturas de pessoas sob investigação, substituindo o princípio da presunção de inocência, que vem sendo adotado até então, pelo princípio da moralidade pública, pois sabe, assim como nós, que o nosso Judiciário é lento e as leis atuais permitem uma protelação absurda da conclusão de processos. Pretende, assim, cortar o mal pela raiz. Se essa mudança for para valer, será um grande avanço. Caso a tese da Justiça Eleitoral não prevaleça, a solução seria impedir a posse dos eleitos que estejam com processos inconclusos na Justiça. Estes, só poderiam tomar posse após a sua absolvição final. Talvez assim os processos até tenham um andamento mais rápido.

Temos a obrigação de votar conscientemente, e desta forma afastar da vida pública o bando de picaretas que vem sugando os recursos do país. Mas, complementarmente, nossas autoridades têm que promover uma profunda reforma política e uma revisão geral na legislação que tenha relação com as exigências para alguém ocupar um cargo público, pois o brasileiro honesto e trabalhador, que paga os impostos que deviam ajudar no desenvolvimento do país, merece e precisa ser mais respeitado.

A CAMPANHA NA TV

Charge de Iotti

Chegamos à fase de rádio e TV da campanha eleitoral. Poderia ser útil para o eleitor analisar os candidatos e fazer conscientemente a sua escolha. Poderia. Infelizmente, não é o que se pode esperar, a julgar pelo que foi apresentado até agora. Tal como aconteceu no passado, o tempo gratuito para os políticos apresentarem as suas propostas está sendo usado para divulgação de propaganda enganosa ou apenas para exposição de desejos dos candidatos, sem nenhuma preocupação em indicar como esses desejos poderiam ser transformados em realidade.

Sobre um dos problemas principais que tem afligido a sociedade, a violência urbana que tem produzido milhares de vítimas e não pára de crescer, os candidatos a presidente e governador ainda não disseram nada aproveitável, nada que mostre uma perspectiva de mudança no caos atual a que estamos submetidos. Como sabemos, temos polícias corruptas, falta de ações de inteligência e de integração dos órgãos de segurança, leis frouxas, Justiça lenta e que parece não entender a importância do seu papel na proteção da sociedade e das instituições, e não vemos nenhuma proposta séria para correção desse rumo equivocado ser apresentada pelos candidatos. Só banalidades.

Com relação aos candidatos ao Legislativo, o aproveitamento do horário eleitoral gratuito consegue ser ainda pior. Os candidatos praticamente se limitam a declinar seus nomes e número, não apresentando as suas idéias. Ou seja, aqueles que serão os responsáveis por discutir e aprovar as novas leis, ou alterar as leis existentes (que, como sabemos, são muito falhas),  vão ser eleitos com pouco ou nenhum conhecimento da sua capacitação por aqueles que os elegerão.

Somando isso tudo ao fato de que ainda não há bloqueio de candidatos que estejam sendo processados pelos mais variados tipos de desvio de conduta, por maiores que sejam as evidências, dá para temer pelo futuro do país. Diante desse quadro, cresce de importância o papel da parcela mais esclarecida dos brasileiros, que deve atuar intensamente para ajudar os menos letrados a não ser iludidos pelos muitos picaretas de plantão, que estão querendo se aproveitar dessa situação para continuar a se locupletar com os recursos dos cofres da nação.

OS CANDIDATOS

A semana que passou foi marcada pela seqüência de entrevistas feitas pelo Jornal Nacional com os quatro principais candidatos à presidência da República. A iniciativa foi boa e pode ajudar os eleitores indecisos a fazer a sua escolha. Muitas perguntas, pela sua forma direta e incisiva, colocaram os candidatos numa tremenda saia-justa. Dos quatro, o pior desempenho, com toda certeza, foi o de Lula.

A seqüência começou com Geraldo Alckmin. Ele, de certa forma, foi prejudicado pelo fato de a sua entrevista ter ocorrido 24 horas depois de ter sido iniciada a terceira onda de terrorismo em São Paulo. Com isso, o candidato acabou falando mais sobre o que fez no seu estado, do que pretende fazer caso seja eleito presidente. Mesmo assim, saiu-se razoavelmente bem, pois transmite equilíbrio, segurança e credibilidade, além de  demonstrar que tem experiência e conhece bem o papel que deve desempenhar um administrador público.

A segunda entrevistada foi Heloísa Helena. Embora procurasse ser simpática, chegando mesmo a exagerar neste particular, ao usar expressões como “queridinha” e “minha flor” ao responder perguntas de Fátima Bernardes. Heloísa Helena falou como se fosse uma metralhadora com o gatilho apertado, usando velhos chavões tão ao gosto dos políticos populistas, tais como “lacaios do imperialismo”, não reconhecendo nessa sua visão que os nossos grandes problemas são provocados por erros e incapacidade dos políticos daqui de dentro. Escrava de sua idéias radicais, não respondeu com coerência nenhuma pergunta, nem apresentou propostas concretas. Apenas desejos. Adicionalmente, rasgou ao vivo e a cores o programa do recém-fundado partido que a lançou candidata e que ela ajudou a fundar.

A entrevista seguinte foi com Cristovam Buarque. O candidato levantou a bandeira da educação, defendendo bem os seus pontos de vista. Ficou visível que ele sabe que não tem chance de concorrer com seus três oponentes principais, mas que está de fato mais preocupado em introduzir no debate da sucessão o tema fundamental da educação, no que faz muito bem.

A quarto entrevistado foi Lula. Um desastre. Ele demonstrou mais uma vez que não resiste a um bom aperto, mostrando-se nervoso. Suas respostas apresentaram erros e foram em alguns momentos confusas e ininteligíveis. Na sua preocupação de apresentar-se como um presidente vigilante e decidido, atropelou a verdade várias vezes. Afirmou que demitiu os ministros José Dirceu e Antônio Palocci, quando foram eles que, após longa agonia, pediram demissão. Quis passar a imagem de um presidente absolutamente isento e fiel seguidor do princípio da não interferência nos demais poderes da república, mas o seu governo empenhou todos os esforços para impedir a instalação das CPIs recentes e, depois, para retardar e dificultar as investigações. Lula disse que os escândalos do valerioduto e do mensalão não macularam o PT, mas sim as pessoas, esquecendo-se de que as pessoas a que ele se referia eram todas da cúpula do partido – presidente, secretário-geral e tesoureiro, dentre outras. Também não deu os nomes dos que supostamente o traíram. Apresentou, em poucos minutos, duas versões diferentes para o caso da sua dívida com o PT, paga pelo seu amigo Paulo Okamoto. Todas duas, com certeza, falsas. Disse que foi ele quem criou a Controladoria Geral da União (CGU), que na verdade foi criada em 2001 pelo presidente Fernando Henrique.

Dois momentos devem passar para a história das entrevistas de TV no Brasil. O primeiro foi quando Lula tentou se comparar a um chefe de família que não poderia saber do erro de um filho, para justificar eventuais desconhecimentos de escândalos em seu governo, Fátima Bernardes interrompeu: “- Mas o senhor acha que o eleitor espera do presidente o comportamento de uma mãe zelosa ou de alguém que possa administrar e coordenar o governo?”. Em outro momento, quando Lula tentou fazer prevalecer a tese de que as investigações foram levantadas pelo seu governo, o que não é exato, foi a vez de William Bonner afirmar, com desconcertante naturalidade: “- Na verdade o governo não denunciou nada. Tudo começou com o escândalo dos Correios e a denúncia de Roberto Jefferson.”

Meus amigos: dentre esses candidatos vai sair o presidente da república. Os que ainda não se decidiram, devem analisar bem o caráter de cada um e as suas propostas de governo, e fazer a sua escolha. Eu já fiz a minha.

O OUTRO LADO

AZIMUTH, desde o seu lançamento em outubro de 2005, vem apresentando quase que diariamente comentários desanimadores sobre os principais acontecimentos que vêm afetando a vida do nosso país. Embora esses comentários espelhem apenas a nossa visão a respeito desses acontecimentos e não necessariamente um julgamento adequado, fica evidente que estamos passando por tempos tenebrosos, em que valores essenciais como a ética, o respeito à verdade e ao próximo estão sofrendo um profundo desprezo por parte daqueles que deviam dar o bom exemplo: as nossas principais autoridades, nos três poderes. A conseqüência disso é que os dias melhores para a sociedade vão demorar mais para chegar. Mas, apesar de tudo, AZIMUTH acredita que esses dias vão chegar.

Entretanto, este Brasil, que tanto tem nos desiludido ultimamente, é o mesmo país que:

- Desde as eleições de 2000 utiliza um sistema totalmente informatizado desenvolvido pelo TRE em todas as suas regiões, que permite a apuração dos resultados em menos de 24 horas. O sistema que vem sendo cedido a alguns dos nossos vizinhos chega a ser mais moderno e eficiente do que o utilizado nos EUA.

- Tem tido o maior sucesso no combate à AIDS, sendo um exemplo mundial neste asssunto.

- Tem 40% dos internautas da América Latina.

- Tem o 2º maior crescimento do mercado de celulares do mundo.

- É o 5º maior país do mundo em linhas instaladas na telefonia fixa.

- Possui cerca de 6900 empresas certificadas pelas normas ISSO 9000, o maior número entre os países em desenvolvimento. No México são apenas 300 e na Argentina 265.

- É o 2º maior mercado de jatos e helicópteros executivos.

- Tem um mercado editorial maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos por ano.

- Tem um dos mais modernos sistemas bancários do planeta.

- Tem um povo hospitaleiro e que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos.

- Tem tantas outras coisas boas.

Por isso, a gente tem mais é que acreditar que a fase má, de inversão de valores, que estamos atravessando pode mudar. Cada um de nós pode fazer alguma coisa nesse sentido. Já há bons movimentos atuando nesse sentido. Dentre eles, recomendamos que os nossos amigos conheçam o Quero Mais Brasil.

O Quero Mais Brasil é um movimento que convida toda a sociedade brasileira a se dar as mãos e fazer com que o eterno país do futuro se torne o Brasil do presente. É um movimento sem nenhuma ligação partidária. Ele nasce da iniciativa de desejos brasileiros de fazer algo mais do que simplesmente votar de dois em dois anos e já conta com o apoio de uma parcela significativa da sociedade, representada por mais de 260 das mais variadas associações de classe.

Querer Mais Brasil é participar deste movimento ao lado de vários brasileiros, empresários, artistas, líderes, trabalhadores, pessoas que vão usar a cidadania para construir uma cidade, um estado e um país melhor. É descruzar os braços.

Querer Mais Brasil é querer transparência nos gastos públicos de todos os governos. Não é ser contra nenhum partido ou político. É ser a favor do Brasil, dos Estados e de todos os municípios.

Querer Mais Brasil é exigir que todos os governos, das cidades, dos estados e do país, não gastem mais do que arrecadam. Sem dívida crescente, sem juros excessivos, sem gastos mal feitos. É exigir menos gasto na máquina pública e mais serviços sociais e investimentos.

Querer Mais Brasil é exigir a mesma eficiência dos órgãos públicos que se exige da iniciativa privada.

Querer Mais Brasil é não ficar calado. É descruzar os braços e construir juntos. 

QUEIMANDO O FUTURO

O inverno na região Sudeste é tempo de frio e pouca chuva. Em conseqüência, a vegetação fica seca e aumenta o risco de incêndios. Há ainda o agravante de um componente cultural. É época das festas juninas e, com elas, ressurge o hábito de soltar balões. Particularmente, este ano, o clima está mais seco e as temperaturas mais altas, o que torna mais crítico o problema. Os incêndios vêm se sucedendo de uma forma assustadora, queimando tudo. A destruição tem sido desoladora. As queimadas acabam com matas e pastos, matam animais diretamente, ou indiretamente, por acabar com o seu habitat e com a sua alimentação, e, às vezes, causam a perda de casas e outros bens das pessoas. Prejudicam as nascentes d´água por destruírem o meio ambiente no seu entorno. São responsáveis pela erosão do solo devido à eliminação da sua cobertura vegetal, causando o surgimento de  voçorocas e o assoreamento de rios.

As queimadas são em geral provocadas pelo homem. Duas são razões principais: a ignorância de pessoas que não avaliam adequadamente as conseqüências dos seus atos ou a ganância daqueles que buscam ter lucros fáceis, através da exploração ilegal de madeira. Apenas uma pequena parcela das queimadas decorre de causas naturais.

A solução do problema passa por dar especial atenção ao assunto nas escolas, de forma a conscientizar os jovens para o crime que hoje se pratica. Mas, qual o governante que está de fato preocupado com o ensino no nosso país? A outra ação necessária é o estabelecimento de uma legislação dura e sua utilização de fato, para proteger o meio ambiente das queimadas criminosas. Você já ouviu falar de alguém que foi punido por provocar uma queimada? Mas certamente já viu imensas áreas totalmente carbonizadas nas margens de qualquer estrada do país por onde tenha passado, não é verdade? Uma pena. É preciso acabar com isso para o bem das futuras gerações de brasileiros.

QUADRO NEGRO

Como já dissemos várias vezes aqui no AZIMUTH, acreditamos que o Brasil tem jeito, que pode romper as amarras que o prendem ao atraso e chegar à condição de país desenvolvido. Um lugar em que as leis sejam iguais para todos, rigorosas e cumpridas, para que as pessoas de bem tenham uma boa qualidade de vida e os corruptos, ladrões e assassinos não deixem de pagar pelos seus crimes. Achamos que isso pode acontecer mesmo que demore, que não seja algo que essa geração consiga viver. Os últimos tempos entretanto têm sido duros para quem tem esse tipo de convicção. Dia após dia, uma sucessão de escândalos vem desafiando a nossa capacidade de continuar acreditando no nosso futuro. No momento, estamos vendo tomar proporções espantosas o caso da máfia dos sanguessugas. Cinqüenta e sete parlamentares já estão sendo investigados, o que corresponde a quase 10% dos deputados. Dois terços dos investigados são dos partidos do mensalão (PTB, PP e PL), e diversos deles eram mensaleiros, o que mostra o quão perniciosa é a impunidade reinante na nossa terra. Isso tudo já é trágico para o país, mas pode ainda não representar a total extensão do escândalo, pois Luiz Antônio Vedoin, o corruptor que fornecia as ambulâncias superfaturadas, declarou que beneficiou financeiramente 105 parlamentares.

Para que o país saia do atoleiro em que se encontra é preciso muita coragem, determinação e patriotismo de quem tem o poder para atuar. Essas qualidades estão escassas hoje em dia entre os nossos homens públicos. Mas existem algumas iniciativas de parlamentares que precisam de apoio da parcela de deputados e senadores de bem para poder frutificar. Sobre esta possibilidade, transcrevo a seguir o texto do artigo "Cortar na própria carne", de Zuenir Ventura, publicado em O Globo, de 22/07/06:

"Antonio Carlos Biscaia, presidente, e Fernando Gabeira, sub-relator da CPI, os quais ao lado do deputado Raul Jungmann, de Pernambuco, vêm trabalhando para cortar exemplarmente na própria carne, com coragem e sem complacência. Nessa direção, outro sinal positivo foi a iniciativa do deputado carioca Miro Teixeira, de buscar num artigo da Constituição a brecha para impedir que candidatos corruptos sejam eleitos ou reeleitos. Desapareceria a figura do "transitado em julgado", ou seja, uma condenação com provas irrefutáveis não ficaria na dependência do julgamento de todos os recursos e apelações. Os interessados alegam sempre que não se pode condenar previamente. E absolver, pode? Para os representantes do povo deveria valer não o postulado jurídico de que todos são inocentes até prova em contrário, mas o consagrado princípio da mulher de César, adaptado aos tempos modernos: não basta ser honesto; é preciso também parecer e convencer, sem direito a ser suspeito. Romper a barreira do corporativismo não é fácil, mas é a única saída. Para os desvios de conduta de um Congresso tão infecccionado como a atual, a reação tem que começar lá dentro. É fundamental que haja rejeição do próprio organismo, de sua parte sã. Sem a formação urgente de uma espécie de frente ampla capaz de colocar as afinidades éticas acima das diferenças partidárias e ideológicas, continuará a repetição impune dos escândalos, e isso só aumentará na sociedade a percepção, embora injusta, de que a banda podre contaminou toda a instituição."

Creio que o Zuenir Ventura tem razão. É por aí. Adicionalmente, os partidos sérios deveriam expulsar sumariamente e com bastante alarde todos os seus quadros que fossem apanhados em alguma gatunagem. Sem contemplação. E as leis deveriam ser revistas para permitir que os ladrões do dinheiro público estivessem sujeitos a penas mais rigorosas do que as aplicáveis aos ladrões comuns. Afinal o dinheiro que vem sendo roubado sistematicamente e de forma crescente é o mesmo que poderia estar sendo aplicado na educação, na saúde, no saneamento, e que faz  falta especialmente aos pobres e desassistidos deste país. O que significa um crime com requinte de crueldade.

DESABAFO

Recentemente, durante a primeira reunião ministerial que Lula fez com a sua equipe este ano, ele deu as orientações que considera necessárias sobre o comportamento que espera de cada um, para evitar problemas com o TSE. Disse também que não haverá um novo programa a ser lançado para um eventual segundo mandato. O novo período seria apenas um complemento do primeiro, que agora está se aproximando do fim. Ou seja, mais quatro anos de mediocridade e aumento do tamanho e do custo do Estado, que tanto bem faz aos corruptos e tanto mal faz à maioria dos brasileiros.

A não ser o mérito de ter mantido a política econômica do governo anterior, e com isso ter conseguido a estabilidade da moeda, tão necessária para o país e para diminuir o sacrifício dos pobres, o governo Lula nada fez para criar condições para o crescimento da economia e o desenvolvimento sustentado. Ao contrário, optou pelo assistencialismo e o populismo, que só servem para perpetuar o atraso e a miséria. Pensem se houve algo de significativo, algo capaz de mudar para melhor a educação, a saúde, a infra-estrutura, a produção de alimentos, a segurança pública, a qualidade dos serviços prestados pelo Estado, a tributação que sufoca a economia da nação. Na verdade, não aconteceu nada. Só palavras vazias e muitas vezes sem nexo. Em determinados casos, este governo só conseguiu piorar o que já era ruim.

O que é preciso de fato é reconstruir o Brasil. Para que precisamos de mais de 6.000 municípios, mais de 500 deputados federais, algumas centenas de deputados estaduais, vários milhares de vereadores e um número assustador de assessores que compõem a corte desses políticos? Por que o nosso poder Judiciário não pode ser melhorado de forma a permitir que o país chegue ao estágio de nação civilizada, onde a lei e a ordem prevaleçam? Por que não podemos ter um ensino de qualidade que contribua decididamente para a formação de cidadãos preparados para as exigências do mundo atual e com valores éticos que contribuam para a melhoria da sociedade como um todo, acabando com a idéia de que o certo é "levar vantagem em tudo"?

Vote consciente!

Sabemos que este questionamento soa muito poético e fora do mundo real. Só mesmo sendo muito inocente a gente pode pensar que tal milagre possa acontecer de uma hora para outra. Mas, para que as coisas mudem de fato, profundas reformas estruturais terão que ocorrer e levarão bastante tempo para ser implantadas e gerar frutos. É preciso começar este processo o mais cedo possível. E é claro que isso jamais ocorrerá com Lula e a sua patota. Portanto, é necessário que eles não sejam reeleitos. Infelizmente, hoje esta turma está com mais de 40% das intenções de voto. A única coisa que podemos fazer é procurar mostrar que eles não servem para o país, pois na verdade estão se servindo do Brasil. É isso que temos procurado fazer aqui no AZIMUTH.

CENÁRIO ASSUSTADOR

Amigos,

Vejam a seguir uma relação de manchetes que obtive em órgãos da imprensa somente na semana passada:

1-Relativas à Educação:
"A estupidez racial – Quando se cai no pântano de ficar criando divisões raciais e étnicas".
"Congresso recebe agora manifesto pró-cotas".
"Brasil desperdiça tecnologia produzida em universidades e pólos científicos – aproveitamento de patentes é um décimo do verificado em outros países".
"Prova Brasil: estudantes do Rio têm nível crítico".

2-Relativas à Segurança Pública:
"Chacina na guerra do tráfico – Polícia encontra 14 corpos no São Carlos".
"Bomba em trem e ataques do tráfico amedrontam SP".
"Em SP, mais um agente penitenciário é morto".
"Soldado assalta sargento e os dois morrem na troca de tiros".
"Guerra do São Carlos pode ter mais dois mortos".
"Atentados em série em SP".
"Jogo de empurra mantém carcaças de veículos no Canal do Cunha - Veículos depenados estão abandonados a 1.600m do batalhão da Maré".
"Rio é a capital do roubo de bens tombados no país – De 1.011 itens levados, 53% foram furados no estado".
"Rosinha reduz gastos com segurança".

3-Relativas ao Desempenho:
"Congresso de braços cruzados – Crise política, Copa e eleições travam projetos essenciais para o desenvolvimento do país".
"Devastação financeira – Todas as multas aplicadas pelo Ibama desde 2002 podem ser anuladas".

4-Relativas à (falta de) Ética e à Impunidade Reinante no País:
"Lula entrega a PMDB estatal que deu origem a escândalo – Em troca de apoio à reeleição, partido terá ministérios de ‘porteira fechada’.
"Efeito mensalão: candidatos aumentam previsão de gastos".
"Tesoureiro (da campanha para a reeleição) diz que avisou Lula sobre denúncias".
"Código de Conduta não se aplica ao presidente".
"Jogo eleitoral com aposentados".
"Libertado por decisão do Supremo Tribunal Federal o fazendeiro acusado de ser um dos mandantes do assassinato da freira Dorothy Stang".
"TCU denuncia 2.900 políticos mas lei eleitoral não pune – Acusados de irregularidades poderão concorrer com recurso à Justiça".
"Surgem indícios de que Delúbio Soares, o ex-tesoureiro do PT, tinha ligações com a máfia dos vampiros".
"Antigos chefões do tráfico de volta às ruas – Liberdade condicional".
"Presos pela PF, por participação num esquema de liberação ilegal de mercadorias no aeroporto de Viracopos dois delegados. Um deles é presidente da Associação de Delegados de Polícia do estado de São Paulo".

Apenas por esta amostra dá para ver que a situação é muito grave e para ser revertida vai ser preciso contar com o trabalho de muita gente séria e patriota. É preciso excluir da vida pública do Brasil os populistas e os "companheiros" que aí estão, que chegaram ao poder para se servir e não para servir o país. Só através de votos conscientes poderemos virar esta página vergonhosa que estamos vivendo e que vem manchando a maior parte da nossa história. Os três poderes precisam ser depurados e aperfeiçoados. Há um longo caminho a percorrer, mas todas as jornadas começam com o primeiro passo. Todos nós precisamos agir para que sejam eleitas pessoas de bem e que os picaretas habituais percam o seu espaço. A hora é esta. As eleições se aproximam.

ALICE CHEGOU

Alice

Amigos,

Este espaço tem sido usado para apresentar o que pensamos sobre temas que consideramos importantes para nós brasileiros. Não que tenhamos a pretensão de estarmos certos, mas para lançar algum material para discussão e para captar alguns pontos de vista diferentes, que nos ajudem a aumentar a nossa percepção sobre esses assuntos. Podemos dizer com convicção que esse objetivo está sendo conseguido, pois já estamos na 37ª semana do AZIMUTH.

Desta vez, porém, vamos usar o Papo Firme para externar a nossa alegria pela chegada da Alice, a primeira neta tanto pela família da mãe, como pela família do pai. Queremos compartilhar esta alegria com vocês. Ela chegou no dia 30 de junho e é linda. Mesmo considerando que os avós sejam babões, ela é mesmo muito linda, podem acreditar.

Nos últimos dias, aqueles que nos acompanham devem ter percebido que editamos menos posts. Isso se deveu principalmente aos preparativos para a chegada da Alice. Motivo muito justo, vocês não acham? Que Deus ilumine os seus passos por toda a vida é o que desejamos do fundo do coração.

OS ILUSIONISTAS

Há horas em que a gente não consegue se conter, não consegue deixar de ficar irritado diante de tanta mentira e de tanta desfaçatez. É o que acontece neste momento em que o chefe maior dos picaretas tem a coragem de dizer que o seu governo fez mais em 42 meses do que o governo de FHC em oito anos. É preciso dizer com todas as letras que o governo petista não passa de um medíocre governo, corrupto e incompetente. Não há um só projeto real que tenha sido iniciado por Lula. Há um monte de rótulos tipo Fome Zero, Fundeb, Primeiro Emprego, criados apenas para enganar os trouxas. E, claro, tentar perpetuar o atraso do país para que eles continuem no poder. O que poderia realmente fazer a diferença, tipo reforma trabalhista, reforma da previdência, reforma tributária, reforma do Judiciário, reforma do ensino, melhoria da segurança pública, privatizações e tantas outras ações importantes para o nosso desenvolvimento foram paralisadas ou não saíram da retórica.

O presidente do blá-blá-blá e do eu-eu-eu não é de trabalhar. Pior do que isso, é de mentir e de se omitir. Os muitos corruptos que teve que afastar de cargos do seu governo, continuam a atuar nos bastidores. E o presidente continua a dizer que não se provou nada contra essas pessoas e contra outras que continuam no governo ou no legislativo. Uma atitude assim daquele que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição e as Leis só prejudica as instituições que ele deveria zelar e ajudar a consolidar.

É preciso dizer que as poucas coisas positivas que ocorreram neste governo, tiveram origem no governo anterior. O caso mais visível nesse sentido é a política econômica. Os fundamentos da estabilidade da moeda conseguida pelo país foram estabelecidos no governo FHC e mantidos pelos petistas, felizmente. Mas eles não têm humildade para admitir isso e, ao contrário, fazem questão de dizer que receberam o governo com inflação alta e juros elevadíssimos, omitindo que o pico que existiu na época da mudança de governo ocorreu exatamente pelo medo de um governo petista no país. E é preciso dizer também que nos últimos meses, em função de interesses eleitoreiros, Lula está jogando a austeridade financeira para o alto. Os gastos correntes estão explodindo sem que o governo se importe com isso. O que apenas está interessando é a sua reeleição. Nesta rota, vamos ter problemas financeiros num futuro próximo, restabelecendo o rumo da mediocridade e da miséria do qual estávamos nos afastando quando os petistas chegaram ao poder.

Os ilusionistas estão conseguindo até agora tapear grande parte dos eleitores. É pena que esses eleitores não percebam que as mágicas apregoadas pelo falastrão não existem. Basta ver a quantidade de pedintes nas esquinas, a proliferação de favelas em todo o país, o estado de calamidade nas nossas escolas públicas, o clima de guerra nas grandes cidades devido à falta de segurança pública, a péssima qualidade de praticamente todos os serviços públicos, e por aí vai. Deus queira que os eleitores parem para pensar um pouco e evitem que esta enganação continue.

ECONOMIA INFORMAL

O Brasil vem crescendo menos do que poderia, o que motiva muitas explicações, quase sempre calçadas em convicções políticas e não em fatos reais. Um dos maiores bodes expiatórios dos últimos tempos tem sido a cotação do dólar. A taxa de câmbio tem a sua parcela de contribuição, mas essa parcela é muito pequena diante dos verdadeiros fatores que vêm atrasando o nosso desenvolvimento. Não se compara com as conseqüências da incompetência do governo, com as conseqüências da má qualidade do ensino, com as perdas causadas pela corrupção, com as perdas motivadas por uma infraestrutura deficiente, com as conseqüências do atraso nas reformas tributária, previdenciária e da legislação trabalhista, e de uma grande quantidade de outras medidas que levariam à modernização do país. Há muito o que fazer e pouca disposição para isso.

Esse conjunto de problemas resulta num forte incentivo ao crescimento da economia informal, que dificulta a criação de empregos legais. Ao contrário gera empregos sub-humanos, sem carteira assinada e freqüentemente ligados à pirataria e ao crime organizado. Os participantes dessa economia não contribuem com a previdência, o que resultará, no futuro, em problema para eles mesmos e para a previdência. Como essa economia não paga impostos, ela prejudica a economia formal e atrasa o desenvolvimento. Para se ter uma idéia do atual tamanho da informalidade basta dizer que em São Paulo há mais carros licenciados do que carteiras de trabalho assinadas.

É preciso acordar para o problema. A solução passa pela redução dos impostos, pela redução dos encargos sociais, pela flexibilização das leis trabalhistas e pela simplificação dos procedimentos para legalização dos negócios. As providências têm que ser tomadas no sentido de que a informalidade não seja vantajosa. Além disso, é preciso haver mais repressão, mas repressão de verdade à ilegalidade. Só assim haverá um maior ritmo de crescimento da nossa economia.

VIVA A NATUREZA - Parte 1

Comemora-se em 5 de junho o DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE. Em quase todos os pontos do planeta, de alguma forma, o homem vem agredindo a natureza, esquecendo-se de que se não houver a preservação do meio ambiente, não haverá um futuro para a humanidade. Aqui no Brasil a coisa tem sido séria em conseqüência da ignorância e da impunidade. Diariamente, temos notícia de desmatamentos, queimadas, extrativismo criminoso, matança de animais, garimpos ilegais causando danos a rios e peixes, especulação imobiliária liquidando com florestas, mangues, lagoas e praias, e por aí vai. Temos um país de natureza exuberante. O mínimo que podemos fazer em benefício de nós mesmos é tomar os cuidados para não destruir uma dádiva que recebemos. Isso, é bom que se diga, não significa impedir o desenvolvimento. Ao contrário, significa preservar as condições que permitirão um desenvolvimento sustentado.

AZIMUTH convida seus amigos a ler o texto a seguir e a fazer uma reflexão sobre o tema. Todos nós temos uma responsabilidade quanto ao meio ambiente, pois é nele que vamos passar o resto dos nossos dias.

PROGRAMA DA ONU PARA O MEIO AMBIENTE

“O que ocorrer com a terra, recairá sobre os filhos da terra. Há uma ligação em tudo.”

No ano de 1854, o presidente dos Estados Unidos fez a uma tribo indígena uma proposta de compra de grande parte de suas terras, oferecendo, em contrapartida, a concessão de uma outra “reserva”. O texto da resposta do Chefe Seatle, distribuído pela ONU dentro do seu “Programa para o Meio Ambiente”, e aqui publicado na íntegra, tem sido considerado, através dos tempos, um dos mais belos e profundos pronunciamentos já feitos a respeito do meio ambiente:

"Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los ou vendê-los?

Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias,  cada clareira e inseto a zumbir é sagrado na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo lembranças do homem vermelho.

Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar nas estrelas. Os nossos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, as úmidas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem – todos pertencem à mesma família. Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós. O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.

Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais.

Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.

Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção de terra para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra coisa, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua amiga, e quando ele a conquista, prossegue o seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que podem ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.

Eu não sei. Nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda. Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.  (continua...)

VIVA A NATUREZA - Parte 2

O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossas terras ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar, também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.

Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que nós sacrificamos somente para permanecer vivos.

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.

Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas, que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. Isto sabemos: a terra não pertence ao homem: o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra, recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.

Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos – e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra. Mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra Lhe é preciosa, e ferí-la é despertar seu Criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.

Mas quando de sua aparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam domados, os recantos secretos da floresta densa sejam impregnados do cheiro de muitos homens, e  a visão dos morros obstruída por fios que falam. Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. É o final da vida e o início da sobrevivência." 


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