DESPEDIDA
Meus amigos,
Após retornar da viagem realizada para comemorar quarenta anos de casado e os sessenta da minha mulher, ainda tive tempo de votar no segundo turno das eleições presidenciais. Infelizmente, o resultado foi o que todos nós sabemos. Cerca de 60% dos eleitores preferiram ignorar as barbaridades que vêm sendo cometidas ou permitidas por este governo, dando a eles mais quatro anos no poder. A meu ver, essa decisão foi lamentável, pois significa pelo menos oito anos de perda de tempo rumo ao desenvolvimento sustentado e à modernização do país.
Infelizmente, o populismo irresponsável resultou nos votos daqueles que são as vítimas permanentes desses espertalhões que se fingem de defensores dos pobres para enriquecer. É triste a gente ver a mentira e o desprezo à ética saírem vencedores com números tão consagradores. Para que se construa uma nação sadia, em que a sociedade adote valores que possibilitem a conquista de um patamar mais elevado de bem estar social, justiça e respeito às instituições, é preciso banir da vida pública políticos medíocres como os que têm se aproveitado do país ultimamente. É preciso colocar no poder pessoas que tenham consciência de que ocupar cargos públicos não significa que elas sejam donas do país, mas sim servidoras dos cidadãos que pagaram impostos para dispor de serviços públicos de qualidade. Gente que tenha consciência de que o fornecimento da educação pelo Estado é o caminho que leva à redução das diferenças sociais e que a esmola que atualmente é concedida apenas eterniza essas diferenças.
Infelizmente, estamos longe de sentir a realização de algum esforço nessa direção, especialmente vindo de um governo que se caracteriza por se servir do poder no pior sentido que se possa imaginar e que, com isso, contribui para o descrédito nas instituições democráticas. Como conseqüência, vamos ficando para trás. Ao invés de continuarmos o processo de privatizações, ficamos contestando as privatizações feitas, apesar de todas as evidências do acerto em fazê-las. Ao invés de diminuir o tamanho e o custo do Estado, que têm contribuído decisivamente para dificultar o crescimento da nossa economia, ficamos assistindo esse governo agir para aumentá-los.
Amigos, cheguei à conclusão de que não adianta eu ficar escrevendo posts com essas opiniões, até porque a grande maioria dos seus leitores também tem esse mesmo entendimento. Resta então pedir a Deus que ilumine os nossos dirigentes para que suas ações daqui para frente não sejam tão danosas ao nosso país, para que um dia a gente possa se orgulhar de viver num país justo, onde as pessoas de bem possam se dar melhor do que os picaretas que atualmente têm um campo livre para agir. Sei que isto não vai ocorrer na minha geração. Provavelmente, também não ocorrerá durante a geração do meu filho. Mas, tomara que ocorra na geração da minha neta. De uma coisa, porém, estou certo: um dia isso vai acontecer, pois o Brasil é um país maravilhoso, que tem superado toda uma série de desmandos ao longo da maior parte da sua história e crescido, apesar de tudo.
Com esta declaração de fé no nosso país, quero me despedir dos amigos que fiz durante o tempo que editei o AZIMUTH, agradecendo a todos pelos comentários recebidos ao longo desses meses, seja quanto ao nosso tema principal – o Brasil e seus problemas , seja quanto às demais seções do blog. Quero também agradecer ao meu filho que me estimulou a criar o blog e foi o responsável pela sua apresentação visual. Acho que o período de duração do AZIMUTH foi muito proveitoso para mim por várias razões, e me deu a sensação de estar de alguma forma sendo útil à sociedade, mesmo que isso não tenha sido uma realidade.
A vocês, muito obrigado. Estarei à disposição de todos por e-mail.
Um forte abraço.


















