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BRASIL

Deu na Imprensa

A GRANDE BATALHA

A imprensa publicou o discurso que o senador Jefferson Peres, candidato a vice-presidente na chapa de Cristovam Buarque fez na tribuna do Senado nesta semana, e que vale um registro especial. Peres demonstrou indignação com a possível vitória de Lula em outubro e criticou artistas que, em jantar com o presidente, disseram não se importar com a ética do PT ao declarar apoio à reeleição.

“- Como ter animação num país como esse, que tem um presidente que meses atrás era, sabidamente, conivente com os piores escândalos de corrupção e esse presidente está marchando para ser eleito, talvez no primeiro turno? Não é desinformação. Votam nele sabendo que ele sabia. Ele vai voltar porque o povo quer que ele volte. Eu me curvo à vontade popular, mas profundamente inconformado”.

“-É a declaração solene, pública, histórica do povo brasileiro de que desvios éticos de governantes não são importantes. E isso vem até da classe de intelectuais e artistas. Que episódio deplorável aquele no Rio de Janeiro. Artistas em manifestação de apoio ao presidente, com declarações cínicas, desavergonhadas. É a putrefação moral do país. O Congresso, nem se fala, já apodreceu há muito tempo. Não me candidatarei mais.”

Concordo com o senador no que diz respeito às pessoas que têm acesso às informações. É realmente desanimador vê-las fingindo não perceber toda a bandalheira que vem ocorrendo, para enriquecimento de uns ou para que outros permaneçam no poder, com recursos desviados que são  os mesmos que faltam para melhorar a qualidade dos serviços que o Estado devia prestar, sobretudo para os mais necessitados. Com relação à parcela mais pobre da população, o chamado “povo”, que efetivamente vai votar pela reeleição, acho que ela é muito mais vítima, por ser facilmente tapeada pelos políticos “espertos”, do que eticamente degradada. Na sua falta de discernimento, torna-se algoz de si mesma.

Dá para entender o desânimo do senador Jefferson Peres, mas não se pode concordar com o seu afastamento do cenário político. O Brasil precisa exatamente do esforço de quem não concorda com o nível ético vigente entre os nossos dirigentes, para que essa situação mude para melhor.

O BEM MAIS PRECIOSO

O bem mais precioso que uma nação pode ter é a confiança no futuro. Apesar do amplo potencial que temos, os políticos teimam em agir de forma a impedir que esse sentimento ganhe força e contribua para acelerar o nosso desenvolvimento.

Como ficar otimista com o futuro do país, quando o governo atual envia para o Congresso uma proposta de Orçamento para 2007 prevendo mais gastos correntes e mais impostos? Onde o presidente faz campanha pela reeleição recheando seus discursos com mentiras, se cercando de representantes do que há de pior na política e fingindo desconhecer os graves casos de corrupção envolvendo muitos membros e setores do seu governo, e ainda assim lidera as pesquisas eleitorais? Onde esse mesmo candidato não apresenta nenhuma proposta de reforma, dentre as muitas que são inadiáveis, para que o país possa crescer de forma sustentada? Onde a educação é tratada com descaso e sem nenhuma preocupação com a sua qualidade? Onde falta segurança nas cidades e nas estradas, e nada de sério é feito para combater o crime cada vez mais organizado? Onde o Congresso está infestado de políticos que não se mostram dignos da sua responsabilidade perante a nação e ainda assim vêm sendo poupados de cassação, e poderão até  se reeleger? Onde a legislação é cheia de brechas por onde escapam praticamente todos os peixes grandes que eventualmente são enquadrados pela polícia, e não se vê um movimento sério para submetê-la a um ajuste que a ajuste às atuais necessidades do país? Onde o assistencialismo substitui as medidas que deveriam ser tomadas para realmente trazer melhores condições de vida para milhões de pessoas?

Essa lista de indagações poderia crescer muito ainda. Mas isso causaria maior frustração, e não é esse o nosso objetivo. A idéia é lutar para que os incapazes percam o seu espaço na vida pública brasileira, e a única coisa que pode fazer isso acontecer é o voto consciente de todos. É difícil, mas é o jeito. É a forma que muitas outras nações aplicaram para atingir o estágio de desenvolvidas, mesmo que em algum momento das suas histórias elas tenham enfrentado uma situação como a nossa. Mas tiveram determinação e superaram as suas dificuldades. É o que também precisamos ter.

A CAMPANHA PRESIDENCIAL

A revista Veja, desta semana, apresenta um excelente artigo de André Petry intitulado “A ética do silêncio”, no qual critica a apatia da campanha eleitoral que pode levar à reeleição de Lula. Nele, o articulista diz textualmente:

“É impressionante. O presidente Lula diz que não viu nada nem sabia de nada – e o tucano Geraldo Alckmin também. Em seu programa no horário eleitoral, Alckmin não mostra nada, não informa nada, não fala nada sobre o maior escândalo de corrupção que envolveu o governo do homem cujo cargo ele espera ocupar, com a descoberta dos mensaleiros. Também não mostra, não informa nem fala nada sobre o maior escândalo de corrupção que envolveu o Congresso, com o caso dos sanguessugas. Por quê? Por que tanto silêncio? Por que tanta apatia? Seu programa eleitoral mais recente exibido na televisão até tocou no assunto. Lá pelas tantas, um locutor diz: Sanguessuga, mensalão, com Geraldo não tem disso, não. E ponto. E nada mais, nenhum diagnóstico, nenhuma reflexão. Nada.”

Mais adiante acrescenta: “Para Lula, o PT e os mensaleiros, essa indiferença chocante, esse mutismo assombroso é uma grande notícia. A turma fica prosa e nenhuma cobrança sequer ser ouve. Não são obrigados a se explicar e ainda ganham fôlego para voltar ao discurso de que tudo não passou de uma conspiração das elites.”

O jornalista tem razão. Com essa atitude, o principal oponente de Lula está facilitando a vida do candidato à reeleição. Aparentemente, a única chance de Alckmin mudar a sua estratégia equivocada é a apresentação dos resultados das várias pesquisas eleitorais que estão sendo feitas. Ontem, ao que tudo indica, isso começou a acontecer.

VOCÊ ACREDITA?

Em discurso para empresários, o presidente Lula prometeu investir mais em infraestrutura, reduzir impostos e cortar gastos com custeio. O oposto do que vem fazendo ao longo dos últimos quatro anos. Também afirmou que criou 8 milhões de empregos, quando o próprio  Ministério do Trabalho contabiliza apenas 6,190 milhões.

Realmente, o presidente não tem muito compromisso com a verdade. Quem não se lembra de tê-lo ouvido declarando que desconhecia os malfeitos que aconteciam sob suas barbas, e que de diversas formas foram acobertados por ele? Quem não se lembra de suas afirmações de que seu governo não criou nenhuma dificuldade para a apuração da ladroagem ampla, geral e irrestrita que tomou conta da administração pública no nosso país, apesar de todas as evidências em contrário? Quem já não o viu colocar em terceiros a culpa por maus resultados setoriais ou pelos desmandos do seu governo? Uma postura como essa, de quem devia dar o exemplo de comportamento ético é muito ruim para a democracia brasileira. Infelizmente, apesar de todas as evidências de que estamos diante de alguém que não conhece limites para satisfazer a sua ambição pessoal, torcendo fatos e história de acordo com os seus interesses de auto-promoção, as pesquisas eleitorais apontam para uma possível vitória sua no primeiro turno. É triste. Muito triste.

Você acredita no que diz o candidato? E no que diz o presidente? Você compraria um carro usado dele?

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO

Devido à forte pressão da imprensa e da opinião pública, existe a possibilidade de, finalmente, a Câmara aprovar a emenda constitucional que acaba com o voto secreto dos parlamentares, de forma a permitir que os eleitores saibam como votam seus representantes nas questões que lhes interessam diretamente. Se aprovada essa emenda, vai ser reduzida a produção da pizzaria que livrou da cassação muitos políticos corruptos, como aconteceu com vários dos mensaleiros e usuários do valerioduto. Entretanto, para que a emenda possa ser votada, vai ser necessário desbloquear a pauta da Câmara, que está lotada com Medidas Provisórias a apreciar. Por isso, é preciso que o governo e o legislativo acertem uma agenda adequada, o que não vai ser fácil. Tem que haver muita boa vontade das partes. Resta-nos torcer para que isso ocorra a curto prazo, para que os sanguessugas sejam julgados sob o regime do voto aberto.

Já, o presidente do Senado, que estava manobrando para atrasar o processo de cassação de três senadores envolvidos com os sanguessugas, foi obrigado a voltar atrás, também devido à forte reação que a sua atitude provocou entre os brasileiros.

Por outro lado, em decisão inédita, o TRE-RJ impugnou as candidaturas à reeleição de quatro sanguessugas, com toda certeza por perceber que tais candidaturas significavam uma desmoralização para a nossa democracia e causavam indignação à sociedade. Embora ainda exista a possibilidade de recurso aos impugnados, a decisão do TRE já foi um avanço.

Os exemplos aqui apresentados demonstram a importância da reação à picaretagem vigente e a necessidade de uma participação ativa dos cidadãos nos destinos do país. Nem tudo está perdido.

POR MAIS EMPREGOS

Fila de emprego [Foto: Revista Época]

Os principais candidatos têm falado no horário eleitoral gratuito que pretendem ampliar o emprego com carteira assinada, naturalmente querendo responder à principal demanda dos brasileiros, identificada nas inúmeras pesquisas de opinião realizadas nos últimos tempos. Dentre os dois que realmente vão disputar o próximo mandato, Lula é o que menos passa credibilidade, pois já teve quatro anos para encaminhar uma solução consistente para o problema e fez muito pouco nesse sentido. Talvez por ser um sindicalista de origem (os sindicalistas nunca estão dispostos a ceder naquilo que consideram “direito adquirido” e, por isso, defendem apenas os interesses dos que já estão empregados e dificultam a vida daqueles que estão em busca de uma oportunidade). Talvez por inexperiência, por ter um histórico pessoal de pouca atividade relacionada com o trabalho formal.

A verdade é que para se ampliar de forma significativa o emprego com carteira assinada, o próximo presidente tem de dar prioridade a uma solução envolvendo as micro e pequenas empresas, pois estas são as grandes geradoras de emprego aqui e em qualquer lugar do mundo. É preciso que ele se dedique a simplificar o Simples, reduzindo a infernal burocracia que nos assola e dificulta a vida dos pequenos empresários. É essencial que ele reduza a carga tributária que sufoca essas empresas, matando muitas delas antes mesmo que consigam sair da sua fase inicial de vida. É igualmente fundamental que ele lute pela redução dos encargos sociais que encarecem as contratações e pela flexibilização racional nas relações entre os empregados e os empregadores, para que haja incentivo às contratações. Finalmente, é importante que seja revista e endurecida a legislação relativa às fraudes fiscais ou trabalhistas, para desestimular tentativas nesse sentido.

Nada do que foi dito aqui é novidade, mas esse caminho é a única alternativa viável para reduzir o exército de pedintes, vendedores, flanelinhas, etc.  que infestam as ruas das nossas cidades, boa parte dos quais por falta de outro tipo de oportunidade. Adicionalmente, facilita o combate ao contrabando e ao crime organizado, por tirar dos seus tentáculos a mão de obra utilizada por eles.

FÁBRICA DE ILUSÕES

Nesses dias em que estamos assistindo a uma degradação das instituições do país devido sobretudo à tolerância com o intolerável e ao conformismo com o insuportável, é muito positivo o protesto da OAB contra a política que vem sendo adotada pelo governo, através do MEC, de autorizar  cursos de direito em instituições que não têm as mínimas condições de funcionamento. Com essa política de se ter quantidade em detrimento da qualidade, estão sendo autorizadas faculdades de Direito de péssima qualidade, que não dão o ensinamento jurídico mínimo aceitável. Há inclusive cursos que são realizados de madrugada. Hoje, já existem 1019 cursos de Direito autorizados no país. As faculdades sérias e tradicionais devem estar alarmadas com este estado de coisas. Segundo a informação divulgada, cerca de 90% dos formandos em Direito são reprovados atualmente no exame feito pela OAB. A entidade inclusive acredita que parte do envolvimento de advogados com o crime organizado decorre da má formação jurídica desses profissionais.

O que está sendo constatado pela OAB na sua área de atuação, certamente vale para outras carreiras, pois, como todos sabemos, de modo geral a qualidade do ensino no Brasil é ruim em todos os níveis, e a política que o MEC vem desenvolvendo na área do Direito é a mesma que aplica para os demais cursos superiores. Esse rumo precisa ser mudado com urgência.

MUDAR É PRECISO

Mal foi apresentada a denúncia contra 72 parlamentares envolvidos com a máfia dos sanguessugas e já entrou em cena a máfia das saúvas, envolvendo até agora 32 pessoas. Essa gang tinha como alvo desviar o dinheiro público destinado à compra de merenda escolar e cestas básicas. Repito: merenda escolar e cestas básicas. Como sempre, os mais prejudicados são aqueles mais carentes. Se já não bastasse esses casos recentes, a Polícia Federal prendeu praticamente toda a cúpula do estado de Rondônia, com representantes dos três poderes, por prática de corrupção. Enquanto isso, a crise da segurança pública continua a se agravar com atos de terrorismo, vandalismo, assaltos, seqüestros, crimes e roubos se sucedendo com uma freqüência cada vez maior sobretudo nas grandes cidades, mas já alcançando também as cidades do interior.

E por que isso tudo? Porque as leis são frouxas e cheias de brechas por onde passam impunemente os criminosos e falta competência e vontade nas autoridades responsáveis por mudar este estado de coisas. A conseqüência disso é a impunidade que campeia no nosso país. Precisamos de um Executivo operante e que tome a iniciativa de propor soluções e alterações na legislação, um Legislativo que melhore as leis em benefício da sociedade e um Judiciário ágil e eficaz, para que os criminosos não escapem, seja pelo esquecimento dos seus atos em função do tempo decorrido entre estes e o seu julgamento, seja pela prescrição dos seus crimes.

No caso dos sanguessugas, já apareceu o primeiro pedido de renúncia de um parlamentar, para fugir do processo de cassação e assim manter os seus direitos políticos. Nos inúmeros outros casos de prisões de figurões e figurinhas por assalto aos cofres da nação, você se lembra de alguém que foi condenado e está cumprindo pena? O juiz Lalau não vale, porque ele está detido em casa, numa boa.

Tudo isso precisa mudar para que o Brasil possa progredir. O único caminho que existe é o da melhor qualidade dos nossos dirigentes. Escolha bem o seu candidato. O futuro do país depende do voto consciente de cada um de nós.

BALCÃO DE NEGÓCIOS

A CPI dos Sanguessugas divulgou ontem uma lista contendo os nomes dos parlamentares para os quais recomenda a cassação, em função das provas de negócios ilícitos que conseguiu reunir. São 72 ao todo, 69 deputados e 3 senadores. Mais de 10% dos membros do atual Congresso. Configura-se assim o maior escândalo do pior Congresso que o Brasil já teve. Confirma-se desta forma o que todos já sabiam: uma boa parte dos parlamentares usava as emendas ao Orçamento para aumentar seus ganhos, transformando o Congresso, sem nenhum pudor, num balcão de negócios em que o dinheiro usado sai dos impostos pagos pelos brasileiros. Além dos sanguessugas citados, é preciso lembrar que existem prefeitos e membros do governo envolvidos neste festival de desvio dos recursos que estão faltando para melhorar a saúde, a educação, a segurança pública, a infra-estrutura e tantas outras áreas da nação.

Considerando os últimos julgamentos realizados por este mesmo Congresso, não podemos ficar otimistas quanto aos resultados das votações que virão. Mas, é preciso acabar com a impunidade sob pena de descrédito total nas nossas instituições. Há medidas urgentes que precisam ser implementadas para impedir que o corporativismo reinante nos leve a novo vexame, como, por exemplo:

- Responsabilizar os partidos pelos crimes cometidos pelos seus integrantes, punindo-os de forma progressiva até chegar à sua cassação;

- Acabar com o voto secreto nas votações de cassação de parlamentares;

- Restringir a imunidade parlamentar a apenas à sua proteção quanto a opinião e voto;

- Estabelecer que a renúncia de um parlamentar não encerre o processo a que ele estava respondendo, nem o isente da aplicação de punições;

- Acabar com as emendas individuais ao Orçamento.

Claro que medidas desse tipo enfrentarão muitas resistências e dificilmente serão tomadas a curto prazo, pois como dizia o Barão de Itararé, “de onde menos se espera é que não sai nada mesmo”. Portanto, o grande julgamento dessa corja, não tenham dúvidas, terá que ser através do voto.

ATÉ QUANDO?

Aeroporto de Heathrow, o maior do Reino Unido

Depois de meses de investigação a polícia britânica descobriu um plano terrorista e prendeu 21 suspeitos, todos muçulmanos. O plano abortado indicava que de 6 a 10 aviões seriam explodidos durante seus vôos entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos. As medidas preventivas que estão sendo tomadas neste momento, estão causando um enorme tumulto nos principais aeroportos britânicos e americanos, e o mesmo provavelmente ocorrerá nos próximos dias em outros países.

Essa escalada do ódio vem causando muitos transtornos pelo mundo, especialmente depois dos bárbaros atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York, que foram o estopim para vários outros eventos igualmente trágicos, conseqüência de reações em cadeia que não dão sinais de que vão acabar. Numa outra vertente, está o permanente conflito entre Israel e seus vizinhos.

O mundo lida com algo irracional e imprevisível: o terrorismo que alimenta o medo. Medo que prejudica a vida normal das pessoas, afeta a economia como um todo e faz aumentar o desemprego. O setor de turismo, por exemplo, é seriamente afetado em situações como a de hoje, reduzindo assim muitos postos de trabalho.

Por mais incrível que pareça, a base de todo esse ódio está nas diferenças de fé, embora o Deus de todos os envolvidos seja o mesmo. Mas, o fanatismo religioso tem sido o vetor principal para a explosão de violência a que o mundo está submetido. E, cada ato violento leva inevitavelmente a outro ato de violência ainda mais grave, que atinge sobretudo inocentes. Santa ignorância!

O PARAÍSO DA IMPUNIDADE

A avalanche de escândalos envolvendo o furto de dinheiro público teima em não acabar. Dia após dia vão surgindo novos crimes envolvendo os governos, parlamentares e o Judiciário, num ritmo assustador. São sanguessugas, mensalistas e muitas outras espécies de parasitas, todos se alimentando do sangue da nação, sem medo de punição, dado  o número de brechas na legislação cientificamente elaborada para permitir este estado de degradação a que estamos submetidos.

A rede de crimes envolve indistintamente representantes do governo federal, de governos estaduais, parlamentares às dezenas e prefeitos, além de advogados que se prestam ao trabalho de pombos-correio do crime organizado. Em Rondônia, exemplo mais recente, chegamos ao absurdo da degradação dos agentes do Estado. A corrupção no país como um todo é de tal ordem que explica por que temos que pagar em impostos correspondentes a quase 40% do que recebemos para não termos nenhum benefício com isso. O dinheiro vai todo para os ralos do custeio do Estado perdulário e sem controle e para a corrupção desenfreada dos seus representantes. Ninguém tem medo de ser punido pela nossa Justiça fajuta. Os ratos são abusados quando o gato é frouxo.

Para mudar este descalabro a nossa única chance é eleger pessoas comprometidas em acabar com as leis que permitem a impunidade, endurecendo e fechando as brechas. É isso que temos que fazer. Atualmente, o Brasil não pune e também não aprende com os erros. E, por isso, a situação vem se agravando rapidamente.

A TERCEIRA ONDA

Foto: Nilton Fukuda [Folha Imagem]

São Paulo está vivendo uma terceira onda de atentados terroristas. Os ataques atingiram a sede do Ministério Público, inúmeros ônibus, agências bancárias, caixas eletrônicos, postos de gasolina, supermercados, trens suburbanos, etc. Nesta terceira onda, já foram cerca de 100 os alvos, com uso mais intenso de explosivos e foco maior em bens particulares. O ataque à sede do Ministério Público deixa clara a intenção de intimidação visada pelos bandidos, uma vez que o MP vetou o indulto aos presos no Dia dos Pais. Esta decisão, que evidentemente está correta, provocou a reação do PCC que, por sua vez, demonstra a situação calamitosa em que se encontra a segurança pública em São Paulo e na maior parte do país.

Numa hora dessas, em vez de esforço integrado das autoridades para acabar com a afronta realizada pelas organizações criminosas, assiste-se a um tiroteio entre membros do governo paulista e o governo federal, representado pelo ministro da Justiça. Este, não tem a mínima credibilidade, pois em lugar de agir como ministro numa pasta cuja ação é essencial para o desenvolvimento do país e para o aperfeiçoamento e consolidação das suas instituições, limita-se a atuar como advogado de defesa de integrantes do governo envolvidos com corrupção e inúmeras trapalhadas.

É triste termos chegado onde chegamos e estarmos na mão de políticos tão insensíveis como os que estão dominando a vida pública atualmente. Daqui a dois meses, vamos ter a oportunidade de contribuir com o nosso voto para tirar de circulação uma boa parte dessa patota e colocar em seu lugar gente mais comprometida em começar a mudar o quadro de degradação que estamos vivendo no nosso país. Todos nós precisamos nos informar muito bem para assim participarmos do início de uma gigantesca operação de resgate que não pode mais ser adiada.

RECORDES NA BALANÇA COMERCIAL

No mês de julho, as exportações do país alcançaram US$13,6 bilhões, enquanto que as importações totalizaram US$8,0 bilhões, proporcionando um saldo de US$5,6 bilhões. Esses valores recordes para um mês foram beneficiados pelo final da greve dos funcionários da Receita Federal, que já durava dois meses. De janeiro a julho deste ano, os números também são recordes, com as exportações atingindo US$74,5 bilhões, as importações US$49,3 bilhões e o superávit US$25,2 bilhões. O montante das nossas exportações está sendo mais beneficiado pelo preço dos produtos, devido ao aquecimento da demanda externa, do que pelo volume embarcado. Enquanto o volume exportado aumentou 2% em relação ao ano passado, os preços dos bens vendidos no exterior subiram 11,3%. Apesar da valorização do real diante do dólar, que prejudica a nossa competitividade, a meta de exportações de US$132 bilhões para este ano está mantida, significando uma média diária de US$552 milhões.

Esses resultados são excelentes e confirmam o acerto da política econômica que vem sendo adotada desde 2002, e que não é, portanto, deste governo como gosta de afirmar Lula. Seu mérito foi apenas o de mantê-la, apesar do fogo amigo da ala esquerda do PT e dos seus aliados, e do PSOL, que era a ala esquerda da ala esquerda do PT pré-mensalão.

Entretanto, nem tudo são flores. Há inúmeros problemas a superar para que o crescimento do nosso comércio exterior possa continuar. Existem diversos setores que estão enfrentando dificuldades, que foram ficando mais críticas à medida em que o real se valorizava. Neste ano, mais de mil empresas deixaram de exportar, principalmente por este motivo. A forte valorização do real se deve aos saldos comerciais que vêm sendo obtidos, à entrada no país de mais investimentos produtivos em função do aumento da confiança no Brasil e às taxas de juros pagas pelo governo, que atraem mais dólares ainda. Além do real mais valorizado, a competitividade dos nossos produtos é também afetada pelo protecionismo dos principais importadores, especialmente no setor do agro-negócio. A concorrência da China em diversos segmentos, como o de calçados por exemplo, é igualmente um sério obstáculo ao nosso crescimento, pois os chineses trabalham num regime próximo ao da escravidão e têm várias práticas desleais, apesar do governo Lula ter reconhecido que eles praticam um regime de mercado. Com uma atuação do governo como esta, não precisamos nem de fortes concorrentes.

Para compensar o efeito da valorização do real, o nosso governo precisa atuar para: melhorar a infra-estrutura do país visando baratear o transporte e a armazenagem da produção; reduzir os custos portuários , que ainda estão entre os mais caros do mundo devido a ação sindical, pois pelos portos passam mais de 90% das nossas exportações; reduzir a carga tributária que sufoca todos os negócios legais neste país; reduzir os encargos sociais que inibem o crescimento do emprego com carteira assinada e a expansão da produção; combater em todas as instâncias o protecionismo e as práticas desleais dos nossos concorrentes. Finalmente, uma ação fundamental: o governo precisa gastar menos e melhor com custeio, para diminuir seu endividamento e assim possibilitar uma queda mais acentuada dos juros que tanto prejudicam o crescimento da nossa economia.

SUGANDO O SANGUE

   

AZIMUTH já abordou o caso da máfia dos sanguessugas. Só que pela evolução dos acontecimentos, a abordagem anterior já ficou completamente desatualizada. Agora, são 112 os políticos envolvidos, dos quais 86 estão no exercício do mandato de deputado ou senador e, destes, nada menos que 72 são candidatos à reeleição. Estamos falando em cerca de 20% do Congresso. É uma vergonha. Pelo andamento das apurações e pelo histórico de outros casos recentes, como o do mensalão, não esperem que sejam tomadas providências sérias contra os picaretas de plantão, alguns dos quais reincidentes em falcatruas. Provavelmente, nada vai acontecer antes das eleições e mesmo que aconteça, a experiência nos mostras que deste mato não sai coelho, ou seja, neca de punição. O corporativismo, aliado a expedientes tais como o voto secreto dos parlamentares, vai dificultar que os corruptos e ladrões sejam punidos. Mas, o que nos afronta é que o dinheiro que foi desviado por esta máfia, e que saiu dos impostos escorchantes a que todos estamos submetidos, é o mesmo que está faltando nos hospitais, matando pessoas no presente, e faltando para a educação, matando o futuro do país. E o governo vem permitindo esse crime, pois concorda em pagar por ambulâncias e outros bens e produtos valores muito superiores aos de mercado, gerando assim o dinheiro sujo que paga a propina para esses criminosos. Desta pilantrada que está dominando o nosso Congresso não esperem nada. E os bons parlamentares estão em minoria. A saída é a eleição de pessoas de bem, que possam mudar o rumo atual. Nós, eleitores, temos dois meses para pesquisar, pensar e escolher os nossos representantes. Devemos usar esse tempo adequadamente. É o mínimo que podemos fazer pelo nosso país.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

A revista Veja desta semana apresenta uma interessante entrevista intitulada “A Maldição do Petróleo” com a economista Eliana Cardoso, Ph.D. em economia pelo MIT e atualmente professora visitante da FGV-São Paulo, na qual a entrevistada afirma que a abundância de riquezas naturais com muita freqüência alimenta governos ditatoriais e corruptos (como o da Venezuela) e que só os países erguidos sobre a valorização do conhecimento, da liberdade individual e do respeito aos contratos conseguiram vencer o estágio extrativista e firmar-se como democracias modernas.

A entrevista é muito interessante e aborda os casos de vários países e instituições, e vale a pena ser lida. Dela vamos transcrever duas perguntas e respostas que abordam o caso do Brasil e do governo Lula. Veja só:

P – Há muito tempo não havia um cenário externo tão favorável como o dos últimos três anos. O Brasil fez bom uso dessa janela de oportunidades?
R – Não há dúvida de que houve um sopro externo extremamente favorável. Obviamente, é muito mais fácil governar um país quando o mundo está vivendo sem solavancos nem crises. Mas, justiça seja feita, o governo Lula soube aproveitar muitas das facilidades oferecidas pelo ambiente externo. A redução da parcela da dívida atrelada ao dólar foi um grande passo. A ênfase nas exportações também foi louvável. Com exceção do crescimento abusivo dos gastos públicos, a verdade é que a economia sob Lula não foi assim tão mal gerida. Houve vários acertos.

P – Qual foi o principal erro?
R – O convívio com a corrupção e o acobertamento dos corruptos. Esses são males cujo prejuízo para o país ainda vão durar muitos anos. O que eu condeno no atual governo é o desprezo pela retidão e pelos valores imprescindíveis na criação de uma sociedade capaz de crescer de forma estável, constante e sadia. Nesse contexto, infelizmente, nos igualamos nos últimos anos às nações amaldiçoadas pela dependência dos recursos naturais.

Falou e disse. Nas eleições de outubro podemos ajudar o país a fazer uma correção de rumo. É nosso dever para com as próximas gerações.


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