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BRASIL

A ARCA DE NOÉ E O TITANIC

Veja a seguir a historinha que recebemos de um dos nossos amigos. Resolvemos publicá-la na categoria Administração porque é muito comum vermos casos com desfecho semelhante ocorrem no mundo empresarial. Achamos que ela serve de matéria para meditação. Quem ainda não viu acontecer uma injustiça como essa? Apesar  disso, não somos entusiastas do chamado marketing pessoal tão em voga hoje em dia. Apenas o toleramos, sabendo que ao assim fazer estamos sujeitos a acolher muita mediocridade. 

Um fazendeiro colecionava cavalos e só faltava uma determinada raça.
Um  Dia ele descobriu que o seu vizinho tinha este determinado cavalo.
Assim,  ele atazanou seu vizinho até conseguir comprá-lo.
Um mês depois o cavalo adoeceu, prontamente, ele chamou o veterinário:
- Bem, seu cavalo está com uma virose, é preciso tomar este medicamento.
Durante três dias, no terceiro dia eu retornarei e caso ele não esteja melhor, será necessário sacrificá-lo.
O Porco, que estava nas proximidades, escutara toda a conversa.
No dia seguinte, logo após o medicamento haver sido ministrado no cavalo, o porco se aproximou e disse:
- Força amigo! Levanta daí, senão você será sacrificado!
No segundo dia, deram novamente o medicamento e saíram.
O porco se aproximou do cavalo e disse:
- Vamos lá amigão, levanta senão você vai morrer!
- Vamos lá, eu te ajudo a levantar... Opa! Um, dois, três. Nada.
No terceiro dia deram o medicamento e o veterinário disse:
- Infelizmente, se ele não se recuperar até amanhã, vamos ter ques sacrificá-lo, pois a virose pode contaminar os outros cavalos.
Quando foram embora, o porco se aproximou do cavalo e disse:
- Cara, é agora ou nunca, levanta logo! Coragem! Opa! Opa! Isso, devagar! Ótimo, vamos um, dois, três, legal, legal, agora mais depressa vai... Fantástico!
Corre, corre mais! Opa! Opa! Opa! Você venceu Campeão! Então de repente o dono chegou, viu o cavalo correndo no campo e gritou:
- Milagre! O cavalo melhorou. Isso merece uma festa...
Vamos matar o Porco!
 
Isso acontece com freqüência no ambiente de trabalho. Muitas vezes não se percebe quem é o funcionário que tem o mérito pelo sucesso.

Se algum dia alguém lhe disser que seu trabalho não é o de um profissional, lembre-se: amadores construíram a ARCA DE NOÉ. Profissionais, o TITANIC.

FÁBRICA DE ILUSÕES

Nesses dias em que estamos assistindo a uma degradação das instituições do país devido sobretudo à tolerância com o intolerável e ao conformismo com o insuportável, é muito positivo o protesto da OAB contra a política que vem sendo adotada pelo governo, através do MEC, de autorizar  cursos de direito em instituições que não têm as mínimas condições de funcionamento. Com essa política de se ter quantidade em detrimento da qualidade, estão sendo autorizadas faculdades de Direito de péssima qualidade, que não dão o ensinamento jurídico mínimo aceitável. Há inclusive cursos que são realizados de madrugada. Hoje, já existem 1019 cursos de Direito autorizados no país. As faculdades sérias e tradicionais devem estar alarmadas com este estado de coisas. Segundo a informação divulgada, cerca de 90% dos formandos em Direito são reprovados atualmente no exame feito pela OAB. A entidade inclusive acredita que parte do envolvimento de advogados com o crime organizado decorre da má formação jurídica desses profissionais.

O que está sendo constatado pela OAB na sua área de atuação, certamente vale para outras carreiras, pois, como todos sabemos, de modo geral a qualidade do ensino no Brasil é ruim em todos os níveis, e a política que o MEC vem desenvolvendo na área do Direito é a mesma que aplica para os demais cursos superiores. Esse rumo precisa ser mudado com urgência.

MUDAR É PRECISO

Mal foi apresentada a denúncia contra 72 parlamentares envolvidos com a máfia dos sanguessugas e já entrou em cena a máfia das saúvas, envolvendo até agora 32 pessoas. Essa gang tinha como alvo desviar o dinheiro público destinado à compra de merenda escolar e cestas básicas. Repito: merenda escolar e cestas básicas. Como sempre, os mais prejudicados são aqueles mais carentes. Se já não bastasse esses casos recentes, a Polícia Federal prendeu praticamente toda a cúpula do estado de Rondônia, com representantes dos três poderes, por prática de corrupção. Enquanto isso, a crise da segurança pública continua a se agravar com atos de terrorismo, vandalismo, assaltos, seqüestros, crimes e roubos se sucedendo com uma freqüência cada vez maior sobretudo nas grandes cidades, mas já alcançando também as cidades do interior.

E por que isso tudo? Porque as leis são frouxas e cheias de brechas por onde passam impunemente os criminosos e falta competência e vontade nas autoridades responsáveis por mudar este estado de coisas. A conseqüência disso é a impunidade que campeia no nosso país. Precisamos de um Executivo operante e que tome a iniciativa de propor soluções e alterações na legislação, um Legislativo que melhore as leis em benefício da sociedade e um Judiciário ágil e eficaz, para que os criminosos não escapem, seja pelo esquecimento dos seus atos em função do tempo decorrido entre estes e o seu julgamento, seja pela prescrição dos seus crimes.

No caso dos sanguessugas, já apareceu o primeiro pedido de renúncia de um parlamentar, para fugir do processo de cassação e assim manter os seus direitos políticos. Nos inúmeros outros casos de prisões de figurões e figurinhas por assalto aos cofres da nação, você se lembra de alguém que foi condenado e está cumprindo pena? O juiz Lalau não vale, porque ele está detido em casa, numa boa.

Tudo isso precisa mudar para que o Brasil possa progredir. O único caminho que existe é o da melhor qualidade dos nossos dirigentes. Escolha bem o seu candidato. O futuro do país depende do voto consciente de cada um de nós.

"Nenhum de nós é tão inteligente quanto todos nós."

Provérbio japonês

OS CANDIDATOS

A semana que passou foi marcada pela seqüência de entrevistas feitas pelo Jornal Nacional com os quatro principais candidatos à presidência da República. A iniciativa foi boa e pode ajudar os eleitores indecisos a fazer a sua escolha. Muitas perguntas, pela sua forma direta e incisiva, colocaram os candidatos numa tremenda saia-justa. Dos quatro, o pior desempenho, com toda certeza, foi o de Lula.

A seqüência começou com Geraldo Alckmin. Ele, de certa forma, foi prejudicado pelo fato de a sua entrevista ter ocorrido 24 horas depois de ter sido iniciada a terceira onda de terrorismo em São Paulo. Com isso, o candidato acabou falando mais sobre o que fez no seu estado, do que pretende fazer caso seja eleito presidente. Mesmo assim, saiu-se razoavelmente bem, pois transmite equilíbrio, segurança e credibilidade, além de  demonstrar que tem experiência e conhece bem o papel que deve desempenhar um administrador público.

A segunda entrevistada foi Heloísa Helena. Embora procurasse ser simpática, chegando mesmo a exagerar neste particular, ao usar expressões como “queridinha” e “minha flor” ao responder perguntas de Fátima Bernardes. Heloísa Helena falou como se fosse uma metralhadora com o gatilho apertado, usando velhos chavões tão ao gosto dos políticos populistas, tais como “lacaios do imperialismo”, não reconhecendo nessa sua visão que os nossos grandes problemas são provocados por erros e incapacidade dos políticos daqui de dentro. Escrava de sua idéias radicais, não respondeu com coerência nenhuma pergunta, nem apresentou propostas concretas. Apenas desejos. Adicionalmente, rasgou ao vivo e a cores o programa do recém-fundado partido que a lançou candidata e que ela ajudou a fundar.

A entrevista seguinte foi com Cristovam Buarque. O candidato levantou a bandeira da educação, defendendo bem os seus pontos de vista. Ficou visível que ele sabe que não tem chance de concorrer com seus três oponentes principais, mas que está de fato mais preocupado em introduzir no debate da sucessão o tema fundamental da educação, no que faz muito bem.

A quarto entrevistado foi Lula. Um desastre. Ele demonstrou mais uma vez que não resiste a um bom aperto, mostrando-se nervoso. Suas respostas apresentaram erros e foram em alguns momentos confusas e ininteligíveis. Na sua preocupação de apresentar-se como um presidente vigilante e decidido, atropelou a verdade várias vezes. Afirmou que demitiu os ministros José Dirceu e Antônio Palocci, quando foram eles que, após longa agonia, pediram demissão. Quis passar a imagem de um presidente absolutamente isento e fiel seguidor do princípio da não interferência nos demais poderes da república, mas o seu governo empenhou todos os esforços para impedir a instalação das CPIs recentes e, depois, para retardar e dificultar as investigações. Lula disse que os escândalos do valerioduto e do mensalão não macularam o PT, mas sim as pessoas, esquecendo-se de que as pessoas a que ele se referia eram todas da cúpula do partido – presidente, secretário-geral e tesoureiro, dentre outras. Também não deu os nomes dos que supostamente o traíram. Apresentou, em poucos minutos, duas versões diferentes para o caso da sua dívida com o PT, paga pelo seu amigo Paulo Okamoto. Todas duas, com certeza, falsas. Disse que foi ele quem criou a Controladoria Geral da União (CGU), que na verdade foi criada em 2001 pelo presidente Fernando Henrique.

Dois momentos devem passar para a história das entrevistas de TV no Brasil. O primeiro foi quando Lula tentou se comparar a um chefe de família que não poderia saber do erro de um filho, para justificar eventuais desconhecimentos de escândalos em seu governo, Fátima Bernardes interrompeu: “- Mas o senhor acha que o eleitor espera do presidente o comportamento de uma mãe zelosa ou de alguém que possa administrar e coordenar o governo?”. Em outro momento, quando Lula tentou fazer prevalecer a tese de que as investigações foram levantadas pelo seu governo, o que não é exato, foi a vez de William Bonner afirmar, com desconcertante naturalidade: “- Na verdade o governo não denunciou nada. Tudo começou com o escândalo dos Correios e a denúncia de Roberto Jefferson.”

Meus amigos: dentre esses candidatos vai sair o presidente da república. Os que ainda não se decidiram, devem analisar bem o caráter de cada um e as suas propostas de governo, e fazer a sua escolha. Eu já fiz a minha.

MARIA FUMAÇA

Foto de N. Cotrim

Registro de uma velha Maria Fumaça puxando um trenzinho da antiga na estação-museu de São João del Rei, MG

Bom fim de semana a todos...


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