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BRASIL

RANKING DA SEMANA

 - Morreu aos 43 anos Bussunda, um dos maiores humoristas da atualidade brasileira. Uma das suas características era fazer sátira política, na qual era brilhante. AZIMUTH lamenta esta grande perda e presta aqui a sua homenagem a Bussunda. Sua ausência vai ser muito sentida. O humor inteligente e irreverente vai perder um pouco da sua graça.


 - Dois brasileiros - o ex-ministro Alysson Paulinelli e o engenheiro agrônomo Edson Lobato - ganharam em Washington o World Food Prize, por terem sido responsáveis pela transformação da estéril área do cerrado brasileiro em uma região produtiva de alimentos. Paulinelli foi o criador da Embrapa (órgão de pesquisa reconhecido mundialmente, vinculado ao Ministério da Agricultura) e Lobato desenvolveu pesquisas na área de fertilidade do solo do cerrado e chefiou o Centro de Cerrado da Embrapa. Este é um tipo de registro que AZIMUTH tem prazer em fazer. A Embrapa foi um marco significativo na história do desenvolvimento da agro-pecuária no Brasil.


 - O governo Lula já deu R$549 milhões durante o seu mandato para sustentar entidades ligadas aos rotulados como sem-terra. É, portanto, com o dinheiro dos impostos que pagamos que o MST e seus correlatos vêm invadindo fazendas produtivas e instalações de empresas do agro-negócio, depredando laboratórios de pesquisa e viveiros de mudas, e danificando prédios públicos impunimente, visando não uma reforma agrária, mas uma revolução para acabar com a democracia. Só não vê isso quem não quer.


 - A placa na qual se lia SC - "Frorianópolis" MHM-0058 levou a Polícia Rodoviária Federal interceptar na Rodovia Régis Bittencourt, no sul de São Paulo, um Corolla roubado que estava sendo levado para Florianópolis para ser desovado. A atuação da PRF vale este registro. É trivial, mas ao mesmo tempo raro na nossa terra.


 - Enquanto a gente fica prestando atenção na Copa do Mundo, a Câmara está prestes a nos dar mais um golpe baixo. Deve aprovar o arquivamento da investigação sobre o uso de notas frias por deputados para cobrir gastos com combustíveis, não levando em consideração a falta de ética dessa atitude. Só para lembrar, a farra com combustíveis é de até R$15 mil por mês e por parlamentar, e como sempre é paga com o meu, o seu, o nosso imposto. E nós sabemos que precisamos trabalhar 4,5 meses  por ano só para pagar os impostos que vão pagar deboches como este. Duro, não?

DESTA VEZ, VALEU!

Imagem: EFE

Mesmo sem ter sido brilhante, o Brasil jogou bem e venceu o Japão por 4x1. Desta vez, com vários jogadores considerados reservas, o time se movimentou bem, dominou o jogo todo e teve uma vitória tranqüila. É verdade que o Japão não é exatamente um adversário muito difícil no futebol, mas sem dúvida esta foi a nossa melhor apresentação até aqui neste mundial. Ronaldo, um pouco mais leve, demonstrou uma boa evolução e foi premiado com dois gols, conseguindo com isso chegar à condição de recordista de gols em Copas do Mundo junto com Müller, da Alemanha. Ronaldinho Gaúcho desta vez enfeitou menos e, jogando mais simples, teve participação decisiva nos gols do time. Juninho Pernambucano teve uma excelente atuação, sendo premiado com um belo gol e provavelmente vai conquistar uma vaga de titular. Os outros reservas que entraram no jogo, também deram o seu recado. Gilberto inclusive marcou seu gol. A maior mobilidade do time possibilitou a criação de uma grande quantidade de chances de finalização. O placar só não foi maior devido à boa atuação do goleiro japonês e às bolas chutadas para fora. De qualquer forma, valeu. Desta vez deu para torcer e aplaudir. Não deu sono.

O PAÍS DOS PETISTAS

O Globo de ontem publicou mais um dos excelentes artigos de Arnaldo Jabor. Desta vez, no texto de "Espero estar completamente errado", Jabor aponta indícios do novo programa do PT para o país que são alarmantes. Resumidamente, aí vão algumas das suas preocupações:

- A alegação de que o PT está preparando um novo programa de governo promovendo a participação ampla e plural da sociedade na verdade disfarça a falta de projetos concretos e visa dar a impressão de humildade democrática, para ocultar o tradicional autoritarismo que orientou a quadrilha.

- No segundo mandato haverá uma obstinada tentativa de desmanchar os escândalos do mensalão, desde os dólares na cueca até as mortes de Celso Daniel e Toninho do PT. Em contrapartida, a oposição virá com fúria redobrada, tentando chegar ao impeachment. Esta guerra pode levar à ingovernabilidade.

- As chamadas "forças populares" que já ocupam 40 mil postos no Estado aparelhado tentarão permanecer nas boquinhas.

- Provavelmente as Agências Reguladoras serão assassinadas, pois já há sinais claros disso.

- O Banco Central pode perder qualquer tipo de autonomia, pelo que já declararam os membros do "comitê central".

- A reforma da Previdência não será feita, pois os dirigentes petistas já disseram que "exageraram muito sobre sua crise". Das reformas política e tributária, ninguém cogita.

- A Lei de Responsabilidade Fiscal será aos poucos desmoralizada.

- Os gastos públicos aumentarão e não haverá cortes, pois, como afirmam, "as despesas de custeio não diminuirão para não prejudicar o funcionamento da máquina pública", este eufemismo para o superestado centralizador, que já perdeu prestígio em todo o mundo ocidental.

- Certas leis "chatas" serão ignoradas, como Lula já vem fazendo com a Lei que proíbe reforma agrária em terras invadidas ilegalmente, "esquecendo-a" de propósito.

- Os governos estaduais de  oposição serão boicotados sistematicamente.

Acredito que o autor tem razão nas suas preocupações. Vamos torcer para que a oposição consiga reverter até outubro o quadro que tem sido apresentado nas pesquisas eleitorais, pois o Brasil precisa de uma melhor sorte.

VENCENDO E NÃO CONVENCENDO

Imagem: EFE

Está até difícil de comemorar as nossas vitórias. Depois do 1x0 sofrido contra a Croácia, agora vencemos a Austrália por 2x0. Vitória igualmente sofrida e que não convence. Sendo os atuais campeões e tendo um time que inclui alguns dos melhores jogadores de futebol em atividade, seria justo esperar um desempenho melhor do que aquele que estamos vendo. Os comentários que fiz com relação à primeira partida se aplicam quase que integralmente para o jogo contra a Austrália. Acho apenas que desta vez a defesa não foi tão bem e o Ronaldo não foi tão mal. A verdade é que nos dois jogos ficamos muito abaixo da expectativa. Parece que faltam um maior empenho das nossas estrelas e humildade ao Ronaldinho. Para aquele que é o maior jogador da atualidade, ele fez muito pouco de positivo até agora. Se procurasse dar mais velocidade às jogadas e se preocupasse menos em enfeitá-las, sua contribuição para o time teria sido mais efetiva. Das grandes estrelas apenas Kaká vem justificando a fama. Já Robinho e Fred, que entraram no final do jogo, foram melhor do que os titulares. Sabe por que? Porque se empenharam e se movimentaram mais. Fred inclusive foi premiado com um gol.

Por enquanto, só a Argentina mostrou um futebol com qualidade para ser campeã. Foi um espetáculo o jogo em que ela massacrou a Sérvia e Montenegro por 6x0. Não sei se os argentinos vão conseguir repetir a façanha, mas se conseguirem vão ser fortes candidatos ao título.

REFLEXÕES (parte 1/2)

Pacheco estava sentado numa cadeira no jardim da sua casa, observando o movimento dos aviões no aeroporto, bem próximo dali. Ainda estava tentando se acostumar à nova realidade, sua condição de aposentado. Meu Deus, como a vida passa rápido! Outro dia mesmo ele estava indo para o Rio para estudar, e já se foram quase cinqüenta anos. Agora, quando acorda pela manhã, fica pensando como vai preencher as horas do dia. Acha que a vida está meio vazia. Mas já foi diferente. Bem diferente. Houve época em que não tinha tempo para nada. Vivia mergulhado no trabalho. Um dia, tomou um susto ao perceber que seu filho já era um homem feito.

Da cadeira em que estava sentado, podia ouvir muito bem a música que vinha da televisão. A seqüência do canal da TV por assinatura estava ótima para um cara da sua geração. A Time Goes By, Tema de Lara, Begin the Beguine, What the World Needs Now is Love... Que legal! Começou a se lembrar dos bailes, tão comuns na sua juventude. Não perdia um. Sem perceber foi se afastando da realidade, viajando no tempo. Seu pensamento foi se fixar nos seus primeiros dias no Rio, para onde foi para fazer o cursinho vestibular para Engenharia. Nessa época, passou a morar na Tijuca, na casa de uma tia. Todo dia pegava o bonde 66 para ir e voltar do cursinho, que ficava no Castelo. Logo veio à sua cabeça o pregão do jornaleiro que toda tarde pulava no estribo do bonde, na rua Sete de Setembro, e anunciava: “Olha o Globo, Diário, Notícia, Tribuna e Última Hora”. Lembrou-se também do caso do homem gordo, de terno que um dia estava sentado na extremidade de um dos bancos do bonde, junto ao balaústre, lendo o seu jornal, quando saltou da rua para o estribo um sujeito com um charuto na boca. Na manobra, seu charuto, que estava aceso, bateu no balaústre e caiu dentro do bolso do paletó do gordo. O pingente não teve um momento de hesitação. Saltou do bonde imediatamente, deixando que o gordo descobrisse sozinho o incêndio que estava por começar no seu bolso.

Apesar de ser carioca, ele fora criado no interior do estado, e aquela era a sua primeira experiência de vida no Rio. Vibrava com a sua condição de vestibulando e admirava a maioria dos professores do cursinho, todos com larga experiência em preparar a moçada para enfrentar a enorme barreira que os jovens tinham que transpor para chegar à universidade. Naquela época era bem pior do que hoje em dia, pois havia menos opções. Lembrou-se do prof. Furtado, que lecionava álgebra e parecia adivinhar quando alguém ia ter dúvida sobre algum ponto da matéria. Ele interrompia a seqüência do que estava explicando, ia até o outro lado do quadro e detalhava a suposta dúvida como se fosse um parêntesis, esclarecendo tudo sobre o assunto. Depois voltava ao ponto em que havia parado, dando seqüência à sua explicação. Quando chegava ao fim, tudo parecia muito simples e fácil. Ele era um verdadeiro mestre na arte de ensinar. Outro bom professor, mas sem a simpatia e o bom humor do prof. Furtado, era o José Luís, de geometria descritiva, conhecido como Cota Nula, devido à sua baixa estatura. Como ele detestava o apelido, logo um grupo de alunos passou a riscar no quadro uma linha horizontal como se fosse a linha de terra, com a anotação “zero”. Acima dela colocavam as cotas +1, +2, +3...+n e, abaixo, –1, -2, -3 ... –n. O homem entrava na sala para dar a sua aula, percebia a gozação, mas o máximo que conseguia era apagar o quadro até o nível da linha de terra. Chegava a soltar fumaça. Cedo, a turma também descobriu um aluno que além de sofrer de claustrofobia, tinha uma outra mania bem esquisita. Ao passar pelo corredor entre as salas de aula, ele ia a cada um dos interruptores de luz e dava dois cliques, apagando e reacendo as luzes. A primeira maldade com ele passou a ser fechar as janelas. Assim que percebia isso, ele, que ia sempre de terno às aulas, começava a afrouxar a gravata e a se abanar. Quando a aula acabava, o pessoal corria para o corredor e cada um se encostava num interruptor. Ele saía da sala e vinha esfregando a mão na parede em direção ao primeiro interruptor. Estando o mesmo obstruído, tirava a mão somente o suficiente para ultrapassar o obstáculo, e voltava a raspar a parede em direção ao segundo interruptor, e assim sucessivamente. Todos os que se faziam de obstáculo ficavam com um ar distraído, como se a sua presença ali fosse absoluta casualidade. Uma tremenda crueldade!

Aquele tempo difícil, mas muito bom, passou rápido. Logo Pacheco estava cursando Engenharia e havia se mudado para uma república de estudantes na rua Teresina, em Santa Teresa. O bonde agora era o Paula Mattos. A república era um velho casarão mal conservado, administrado pela dona Carmela, uma paciente senhora de uns sessenta anos, e seu filho Carlinhos, um cara boa praça. Ali viviam uns quinze rapazes, quase todos estudantes. Cedo, pela manhã, a maior parte da turma seguia para as aulas. Era a hora de trabalho intenso para a dona Carmela, mas também a parte mais tranqüila do seu dia. O rolo começava no início da noite, quando o pessoal voltava,  e às vezes ia até a manhã seguinte.

Quando ele chegou, existiam dois grupos na república, juntando a moçada que de alguma forma encontrava interesses afins, mesmo fazendo cursos completamente diferentes, em escolas também diferentes. Além dos dois grupos, havia dois rapazes que, por temperamento, mantinham-se distantes do resto do pessoal. Não existia hostilidade entre as tribos assim formadas, mas sobrava muita gozação. Claro que os dois que se isolavam logo se tornaram as maiores vítimas das duas turmas. Um ganhou rapidamente o apelido de Incompetente, porque estava fazendo o cursinho vestibular para medicina pela terceira vez. O outro, um caladão que também era veterano em vestibulares, mas sempre estava pronto a fazer algum favor, especialmente para a dona Carmela, ficou conhecido como Burro Dinâmico. Como não gostou da brincadeira, afastou-se ainda mais do grupo e acabou se mudando para outra república tempos depois. (continua...)

REFLEXÕES (parte 2/2)

Pacheco recordou que o grupo ao qual se incorporou era constituído pelo Mineiro, Naval, Nonato, Tadeu e Capilar. Mineiro era um estudante de Economia, morador de Caxambu, cujas características principais eram a habilidade em botar apelido nos outros e de falar sobre as suas aventuras amorosas. Ele costumava divertir a turma contando os seus namoros e conquistas. Sentia enorme prazer nisso, mas caso ele realmente tivesse vivido metade das suas histórias, teria desbancado Don Juan nas lendas do ramo. Mas, verdade seja dita, em matéria de colocar apelidos nos outros, ele era imbatível. Não é preciso dizer quem batizou os dois companheiros arredios da república. Sua criatividade era tal que muitas vezes bastava um simples relance e os apelidos estavam criados, sendo logo adotados pela turma. O Humberto, por exemplo, ficou conhecido como Capilar por obra do Mineiro, pois era magro, tinha cerca de um metro e noventa de altura e costumava ficar alterado com um único copo de chope. De toda a turma, era o único que não estava na universidade. Na verdade, era propagandista de um laboratório e dizia que fazia um curso supletivo. Apenas dizia, porque jamais foi visto indo às aulas ou estudando. Na verdade, era também raro vê-lo sair para trabalhar. Gostava mesmo era de jogar conversa fora. Tinha um certo dom para o teatro, pois ao contar suas histórias  colocava tanta dramaticidade que prendia a atenção de todos. Um dia, tomando chope com Nonato num bar, conseguiu que este acabasse vomitando ao ouví-lo descrever em detalhes uma viagem de ônibus pela Rio-Bahia, com destino a Leopoldina, sua terra natal, num dia de sol quente, muita poeira e forte cheiro de óleo diesel exalado pelo motor do ônibus. E olhe que quem costumava ficar tonto com um único copo de chope era ele.

Naval fazia Medicina. Tinha esse apelido porque fora aluno do Colégio Naval. Era um cara inteligente e boa pinta, que fazia sucesso com o mulherio, mas tinha um fraco pelo carteado, que chegava a prejudicá-lo na faculdade. De vez em quando desaparecia por uns dois ou três dias para se dedicar ao sonho de ficar rico de uma hora para outra.  Nonato veio de São Luís, Maranhão, e estudava Geologia. Era um bom sujeito e costumava ser alvo de muitas gozações da turma, principalmente pela sua ingenuidade. Tadeu era do interior do estado e também fora para o Rio para fazer Engenharia. Era um sujeito calmo, que não se abalava por nada. Talvez por isso, tenha feito o seu curso em sete anos.

Em geral, cada um que passava pela república da dona Carmela ficava por lá de três a cinco anos. A cada ano havia uma significativa rotatividade dos moradores. Mineiro, usando da sua capacidade de criar apelidos como quem faz caricaturas, teve tempo suficiente para batizar muita gente de fora do seu grupo. Dentre esses, pelo menos dois entraram para a história da república. Tic-tac, aplicado a um estudante de vestibular vindo de Goiás, devido ao seu cacoete de balançar a cabeça de um lado para o outro,  parecendo o pêndulo de  relógio. O outro, foi para o Ronaldo, um acadêmico de Direito  que andava permanentemente com um livro debaixo do braço, embora não soubesse dizer nem o que estava escrito nas orelhas da capa. Ganhou o apelido de Sovaco Erudito. Genial! Ficou famoso o grito aterrorizante que ele deu certa noite. Ao chegar no seu quarto e acender a luz, viu que sua mão estava a menos de um palmo de uma enorme aranha preta, pendurada a uma teia. Só depois de um tremendo escarcéu, reparou que a aranha era de plástico e a teia era uma linha amarrada ao interruptor. Os anais da república não registram o autor da brincadeira, mas as suspeitas mais consistentes recaíram sobre o Capilar, que entretanto jamais admitiu ser o responsável pelo quase enfarto do pobre Sovaco Erudito.

Mineiro, em geral um algoz, também tinha seus dias de vítima. Tadeu, com seu ar de desligado, costumava deixar o seu maço de cigarros em cima da mesa da sala que a turma usava para estudar e o Naval para jogar. Mineiro, em pelo menos duas ocasiões, filou desses cigarros e ao acendê-los foi surpreendido com uma explosão, tomando um tremendo susto. Chocado, ele abria o seu dicionário de palavrões e insultos para dispará-los como metralhadora contra todos que estivessem por perto. Tadeu, que comprava esses cigarros especiais numa casa de produtos para mágicos na rua do Ouvidor, nessas horas comportava-se como se também tivesse sido apanhado de surpresa.

De repente, o ruído de um avião prestes a decolar fez Pacheco acordar do seu mergulho no tempo. Parece que aquilo tudo acontecera  ontem. Mas onde estariam esses companheiros que o tempo separou? Incrível como amigos tão próximos durante uma fase importante da vida podem seguir caminhos tão diversos, que nunca mais se encontram. De toda a turma da república da dona Carmela, ele só sabia do destino de Naval. Por sinal, um destino trágico. Pouco tempo depois de formado ele já havia construído um conceito de ginecologista competente, mas o jogo e a bebida acabaram com a sua carreira e a sua vida. Morreu de enfarto cerca de dez anos após se formar. De Mineiro, Capilar, Tadeu e Nonato, há muito tempo ele não tinha nenhuma notícia. A menos do Capilar, que continuou morando na república, os demais, assim como ele, tinham voltado para as suas cidades de origem. Hoje, talvez até já estejam em outros lugares, com seus filhos e netos. Como saber? Sua viagem ao passado estava acabando. Seu rosto esboçou um leve sorriso pela lembrança daqueles tempos de tantos projetos, enquanto seus olhos ficavam molhados por algumas lágrimas de nostalgia. Naquele momento, teve uma grande vontade de rever a sua antiga turma, saber da história de cada um.

Num certo momento Pacheco sentiu a ficha cair. A vida nunca pára de se renovar. Está a caminho Alice, sua primeira neta, que nascerá em breve. Um novo ciclo de vida está por se iniciar e, quem sabe, pensou, quando ele menos esperar, estará se divertindo com as histórias da sua neta, como as que ele acabara de recordar. Ficou muito claro na sua mente que tinha mais é que curtir intensamente esses novos tempos, pois a vida realmente passa muito depressa. Num átimo.


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