MAR REVOLTO

O mercado financeiro internacional entrou numa fase de fortes oscilações, basicamente em conseqüência da elevação dos juros nos Estados Unidos. A medida tomada naquele país visa conter os sinais de crescimento da inflação, que começam a preocupar os americanos. Seu efeito pelo mundo afora é que muitos investidores com aplicações em outros países, começam a transferir seus dólares para os Estados Unidos, pois entendem que lá já encontrarão uma rentabilidade razoável, com maior segurança. Esse enxugamento nos mercados financeiros pode provocar ou evidenciar o desequilíbrio nas contas de países endividados, aumento do risco desses países, queda nas bolsas de valores, etc. No nosso caso, já houve forte queda na bolsa de São Paulo e aumento de 13% no risco Brasil. Se o período de oscilação do mercado mundial for mais longo, poderá ocasionar uma redução no ritmo de queda dos nossos juros, apesar de estarmos numa situação financeira bem mais sólida do que nas crises internacionais anteriores.
Como se vê, avançamos nas medidas para tornar a nossa economia mais saudável, mas não o suficiente. Boa parte das bravatas do atual governo nesta área foi possível graças a uma situação altamente favorável da economia mundial, que esteve num ciclo de forte crescimento. A propósito, bem maior do que o nosso. O único mérito real deste governo nesse particular foi manter o rumo definido no governo anterior, apesar do constante fogo amigo das cabeças mais coroadas do PT. Entretanto, deixou de fazer o dever de casa em itens fundamentais para garantir o futuro, tais como a reforma tributária, a reforma da previdência, a reforma das leis trabalhistas, a redução do custo do governo, a simplificação da burocracia estatal, etc. Foi muita conversa e pouca ação, perdendo-se uma oportunidade preciosa para agilizar a modernização do país. Pior do que isso: já faz tempo que só ouvimos falar de mentiras, roubalheiras, interesses mesquinhos, falta de segurança e até de terrorismo. Não é à toa que, na atual turbulência no mercado financeiro internacional, o risco Brasil subiu mais do que o da Turquia, apesar de termos uma economia bem mais avançada do que a deles. Mas, o que vale nessas horas é a percepção dos mercados e, nesse particular, estamos mal.
Vamos torcer para que a fase de oscilação do mercado internacional seja passageira, pois ainda não estamos preparados para enfrentar fortes tempestades.