VERGONHA NACIONAL - 2
O terror espalhado em São Paulo pelo crime organizado, foi muito além das mortes, dos feridos, do medo e da perda dos bens atingidos pela barbárie. Causou também enormes perdas à economia, uma vez que a cidade praticamente parou nesses dias. Ruas vazias, falta de transporte, fábricas sem poder operar adequadamente, comércio sem vendas, restaurantes sem clientes. Foi mais um passo gigantesco para prejudicar o Brasil, as instituições e, sobretudo, os brasileiros de bem. Uma vergonha. As estatíscas apontam que no país inteiro temos tido cerca de 200 mortes violentas por dia. Até quando as autoridades vão ficar procurando soluções paliativas, enquanto torcem para que a população esqueça os momentos terríveis vividos. E nessas horas, costumam adotar o pior dos caminhos que é negociar com os bandidos para que eles baixem a bola, como há suspeitas de que tenha ocorrido agora em São Paulo.

Já se fala em mais impostos para cobrir os prejuízos causados pelas rebeliões ocorridas nos presídios e para permitir novos investimentos em segurança. Meu Deus, até onde vão a incompetência e a falta de vergonha das nossas autoridades? Será que eles acreditam que nós já nos esquecemos do mensalão? Para isso não faltou, nem está faltando dinheiro. O que falta é botar os ladrões envolvidos na cadeia, e isso, nesta terra descoberta por Cabral, todos sabemos que não vai ser fácil.
Chega de medidas para tapar buraco. Temos leis “bondosas” decorrentes da Constituição de 88, que ao ser feita estava com o pensamento voltado para os presos políticos. Não é o caso de hoje. O que temos são criminosos perigosos se beneficiando de uma lei frágil e juízes reféns dessas leis. Fala-se, por exemplo, no absurdo do problema dos celulares dentro dos presídios, mas os advogados que atendem os presos não admitem ser revistados. Ora, se um advogado estiver levando um celular para um preso, ele não está agindo como advogado e sim como um criminoso. Este é apenas um caso dentre muitos que poderiam ser listados. O momento exige uma mudança, um endurecimento, para o bem geral. As nossas prisões e o regime a que os presos devem ser submetidos precisam ser totalmente repensados. Uma boa sugestão seria verificar o tratamento dispensado aos presos nos Estados Unidos. Eles não são submetidos às condições sub-humanas que ocorrem aqui, mas decididamente são tratados com muito mais rigor e muito menos benefícios do que os nossos. O que, com certeza, é muito melhor para a sociedade em geral.