GOTAS

Registro da Abadia de Fontevraud Anjou, no Vale do Loire, França. As gotas estão no portão visto no primeiro plano.
Bom fim de semana a todos...
GOTAS

Registro da Abadia de Fontevraud Anjou, no Vale do Loire, França. As gotas estão no portão visto no primeiro plano.
Bom fim de semana a todos...
"Estamos no Brasil"
http://oglobo.globo.com/jornal/colunas/merval.asp
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AZIMUTH recomenda a leitura do artigo "Estamos no Brasil", de Merval Pereira, publicado em O Globo, de 24/03/06. O autor traça um retrato nítido do triste tempo que estamos vivendo, em que a ética foi aposentada, as leis são atropeladas por aqueles que deviam dar o exemplo, ultimamente até mesmo com samba no plenário da Câmara e, em que o governo usa o seu poder e os seus órgãos para abafar os desmandos dos seus membros em vez de agir no sentido de melhorar a sua qualidade. Tempo em que o próprio presidente declara em uma entrevista que o governo está fazendo o que sempre foi feito, não lhe ocorrendo que sua função é trabalhar por um país melhor. Só podemos estar mesmo no Brasil.
ACORDÃO ATIVO E OPERANTE

Mais dois deputados acusados de receber o mensalão – Wanderwal Santos (PL-SP) e João Magno (PT-MG) - foram absolvidos. O placar da votações no plenário agora está em 7x3 a favor das absolvições dos envolvidos. E tudo indica que a goleada vai aumentar, para tristeza daqueles que acreditam que um dia o Brasil venha a ser um país sério.
A tática desta vez foi a quórum baixo, dificultando assim que se chegasse ao número mínimo de votos para permitir as cassações (257 votos). Mais uma vez os parlamentares, se escondendo atrás do biombo do voto secreto que os protege dos seus próprios eleitores, deram outra demonstração de falta de responsabilidade, vergonha e ética, fingindo acreditar que o processo em curso é apenas político, não existindo crimes previstos em lei a ser considerados. Desta vez, tivemos adicionalmente até uma sessão de deboche explícito, estrelado pela Deputada Ângela Guadagnin, do PT-SP, que vem se celebrizando por dificultar as votações dos relatórios das CPIs, no Conselho de Ética.
Se já não bastasse essa afronta que o país vem suportando, a Câmara acaba de aprovar um projeto que concede um aumento salarial de 15% para os seus servidores e um aumento de 20 para 25 no número de funcionários dos gabinetes dos deputados, o que representa um acréscimo de custo de R$ 400 milhões no período 2006-2007.
É lamentável, amigos. É preciso melhorar a qualidade dos nossos votos, para que se consiga banir da vida pública os muitos picaretas que estão desmoralizando as nossas instituições. Caso contrário, vamos todos continuar a bancar essa festa nefasta.
"Onde a luz bate mais forte, a sombra é mais escura."
Autor: ditado alemão
RANKING DA SEMANA

- As vendas da indústria subiram mais de 4% em janeiro quando comparadas com dezembro de 2005, aumentando o otimismo do setor, que espera um forte crescimento da economia este ano. Tomara, mas isso pode ser afetado pelas turbulências da política, pois parece que o estoque de lama ainda não acabou.
- A decisão sobre o caminho que o PMDB adotará nas próximas eleições – se vai ter candidato próprio ou vai compor com o PT – está bastante confusa. Houve problemas na interpretação das regras das prévias que acabaram não sendo oficializadas e houve também uma guerra de liminares para validar ou não as ditas prévias. Esse quadro de indefinição é lamentável, considerando que o PMDB é o maior partido político do país.
- O governo do estado do Rio de Janeiro aumentou em 3.000% os gastos com publicidade entre 1999 e 2005. O objetivo foi favorecer a candidatura de Garotinho. O dinheiro para pagar essa despesa, é claro, saiu do bolso do contribuinte. E mais: anunciou junto com suas realizações também obras que não foram executadas. Como é dura a vida de contribuinte...
- A retomada da atividade industrial e a expansão do comércio ajudaram o mercado de trabalho a criar 176.000 novos empregos formais em fevereiro. Foi o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro, e representa um aumento de 0,68% em relação a janeiro. Nos últimos 12 meses, a geração de vagas com carteira assinada atingiu 1,3 milhão. Enfim, uma boa notícia.
- O saldo das contas externas do Brasil (operações do país com o exterior, como exportação, importação, pagamento de juros de dívidas e remessa de lucros e dividendos) atingiu US$725 milhões no mês passado, o maior superávit já alcançado num mês de fevereiro. Este resultado se deve ao bom desempenho da balança comercial e à menor remessa de lucros e dividendos para fora do país. Aleluia! Outra boa notícia.
- 117 desembargadores de Minas Gerais fizeram greve na última 2ª feira para protestar contra o Conselho Nacional de Justiça, que proibiu o nepotismo e fixou o teto salarial de R$24.500,00. Uma atitude lamentável de quem devia ter uma conduta exemplar.
MAU EXEMPLO
Amigos, ao que tudo indica, infelizmente nossas autoridades resolveram aposentar a ética. É chocante a sucessão de fatos constrangedores que são noticiados diariamente, partidos daqueles que deveriam dar o bom exemplo para a nação e, assim, contribuir para a consolidação e aperfeiçoamento das instituições. Vejamos alguns exemplos só para ilustrar o que estamos comentando: o nosso presidente está se dedicando em tempo integral à campanha pela sua reeleição, usando recursos públicos e fingindo que está no exercício da sua função; juízes fazem greve contra as medidas baixadas pelo Conselho Nacional de Justiça para combater o nepotismo e para estabelecer um teto para os seus salários, como se fosse correto contratar sem concurso os seus parentes e receber salários elevadíssimos sem precisar comprovar competência e produtividade, tudo isso pago pelos contribuintes; grande parte dos deputados consideram que usar caixa dois, fazer campanha com dinheiro de origem não comprovada, mentir descaradamente e diversas outras demonstrações de falta de princípios são coisas que a “opinião pública” não tem direito de contestar; o governo do estado do Rio de Janeiro tem a coragem de fazer publicidade indicando a realização de 10.000 obras atribuídas à família Garotinho, muitas inexistentes, com o objetivo de fazer campanha para as próximas eleições e, evidentemente, usando para isso o dinheiro dos impostos pago pelos fluminenses; o desrespeito à lei, como no caso da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro que desmente o ministro da Fazenda. E há ainda muitos outros fatos que agridem a ética, a lei, a moral e aos bons princípios acontecendo a cada momento. Basta um pequeno exercício de memória para enriquecer a lista acima.
Essa profusão de maus exemplos daqueles que deviam se preocupar com a repercussão dos seus atos e das suas palavras, com toda certeza tem a ver com a educação de má qualidade que receberam, seja em casa, seja na escola. O resultado disso tudo é o atraso do país. Para mudar essa situação, precisamos, em primeiro lugar, melhorar a qualidade dos nossos votos. Todos eles, para todos os níveis, têm enorme importância. Não podemos nos esquecer disso.
"Se você acha que a educação é cara, experimente a ignorância."
Autor: Derek Bok
Quando: (1930- )

Derek Curtis Bok, advogado americano, educador e presidente da Universidade de Harvard entre 1971 e 1991. Leia mais...
"À Sombra das Armações"
http://txt.estado.com.br/editorias/2006/03/19/pol66580.xml
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AZIMUTH recomenda a leitura do artigo “À sombra das armações”, de Dora Kramer, publicado em O Estado de S. Paulo (Estadão), em 19/03/06, no qual ela aborda as recentes acusações contra o ministro Palocci e as ações do governo no sentido de desmoralizar as testemunhas quando não consegue negar os fatos. Vale o click!
MENINOS DO TRÁFICO
O Fantástico do último domingo apresentou durante mais de uma hora o impressionante documentário “Falcão – Meninos do Tráfico”, produzido pelo rapper MV Bill e por Celso Athayde, da Central Única das Favelas, que expõe de forma clara um problema gravíssimo que se espalha por todo o país: a vida dos menores, que cada vez mais cedo são atraídos e se engajam no tráfico. O filme é um alerta para os governos e para a sociedade de um modo geral. É preciso definir um caminho para atacar esse problema e passar imediatamente à ação, sob pena de não haver futuro para uma vida civilizada na nossa terra. O Brasil apresentado no filme está crescendo e se transformando num monstro que acabará por engolir o outro Brasil, o das famílias, das leis e da ordem.
Pelos depoimentos dos meninos ao longo do filme, percebe-se claramente que eles são o fruto da desestruturação de famílias, da miséria e da total ausência do Estado e que chegaram ao crime para ter dinheiro para sobreviver, mesmo que por pouco tempo. Ou seja, pela total falta de uma perspectiva de vida sadia e por falta de orientação. A ausência do pai é uma constante para esses menores. A maioria deles simplesmente não chegou a conhecer o pai. Assim, valorizam muito as mães, sendo elas as únicas pessoas que costumam respeitar, ainda muitas delas sejam também viciadas ou traficantes. Esses jovens sabem que vão morrer cedo e que também vão deixar filhos órfãos, pois a maioria deles já tem filhos. A situação é muito triste. Dos 17 garotos entrevistados para o filme durante um período de seis anos, 16 já morreram, quase todos a tiro.
O governo federal precisa se entrosar com os governos estaduais e as prefeituras para definir uma ação integrada para enfrentar o problema. Educadores, sociólogos, antropólogos e outros especialistas no assunto devem ser convidados a contribuir para a identificação dos caminhos a seguir, de modo a atrair esses meninos antes que o tráfico o faça. A sociedade através das suas diversas entidades representativas, a Igreja, as ONGs , as Fundações, etc. também precisam se engajar profundamente nesse esforço para salvar vidas. A base de tudo deve ser uma educação de qualidade, dever do Estado. Mas, é preciso ocupar o dia inteiro dessas crianças. Por isso, é preciso possibilitar a elas o acesso a atividades esportivas, teatro, música, dança, computação, trabalho, saúde, etc. Igualmente devem ser desenvolvidas ações para a valorização da instituição família e dos valores morais e éticos e, também, sentimentos como amor, carinho e solidariedade.
Em resumo, é preciso mudar o rumo do nosso futuro como nação.
"A única coisa que torna possível o triunfo do mal é a omissão dos homens de bem."
Autor: Edmund Burke
Quando: (1729-1797)
Filósofo, advogado e político britânico.
SELO DOURADO
O AZIMUTH acaba de receber o Selo Dourado do site Blogstars como destaque da semana pela expressiva votação que obteve, entrando assim para a lista permanente de destaques do site. Esta lista é muito importante para nós pois ajuda a divulgar o nosso blog e receber cada vez mais visitantes.
Agradecemos a todos os amigos blogueiros que nos ajudaram a conseguir este prêmio contribuindo com o seu voto. Valeu mesmo! Vamos em frente...
TEMPO DOS EMPREENDEDORES
Ser empreendedor é essencial no mundo de hoje. Quem tem boas idéias deve tentar fazer seu próprio negócio, porque a geração de empregos já é, e vai continuar sendo, menor do que o contingente que chega ao mercado de trabalho. Essa é uma tendência mundial, função das novas tecnologias e dos novos métodos de gestão. No caso do nosso país, ainda temos como agravantes o baixo crescimento verificado na economia nos últimos anos e o crescimento acelerado da população em idade de conseguir o seu primeiro emprego.
No Brasil, o risco dos empreendedores é muito alto porque o ambiente de negócios é mais difícil devido à enorme complexidade da legislação tributária aplicável, à taxação extremamente elevada, à escassez de financiamento, às maiores taxas de juros do mundo, à legislação trabalhista arcaica e rígida, sem falar na burocracia oficial, que se utiliza de todas as formas possíveis para dificultar e retardar qualquer providência ligada à criação e à vida das micro e pequenas empresas. Portanto, é essencial que o candidato a empreendedor se informe e planeje muito bem, para orientar as suas ações visando a criação do seu negócio. Apesar disso, 11,3% dos brasileiros envolvidos em atividades econômicas possuem seu próprio negócio, ou seja, trabalham por conta própria, o que nos coloca entre os povos mais empreendedores do mundo.
Essa característica devia ser observada pelos nossos governantes, para que eles tomassem as providências necessárias para simplificar e baratear a criação de pequenos negócios, pois assim estariam colaborando para reduzir um problema de grandes proporções na nossa terra, que é o desemprego, e para reduzir a economia informal. Caso esses governantes não saibam, as micro e pequenas empresas são as responsáveis pela maior parcela da geração de empregos em todo o mundo, mesmo nas nações altamente industrializadas, como os Estados Unidos, por exemplo.
"A economia é a arte de eleger prioridades. A sabedoria está não em saber poupar, mas em saber escolher."
Autor: Edmund Burke
Quando: (1729-1797)
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Filósofo e político britânico. Advogado, dedicou-se primeiramente a escritos filosóficos dos quais destacam-se "A origem de nossas idéias do sublime". Leia mais...
"Para Onde Estamos Indo?"
http://veja.abril.com.br/220306/ponto_de_vista.html
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"Em breve, pessoas honradas serão arrancadas de suas propriedades, trabalhadores honestos serão maltratados, famílias serão humilhadas, lares e locais de trabalho serão destruídos."
AZIMUTH recomenda a leitura do artigo "Para onde estamos indo?", de Lya Luft, publicado na revista Veja, edição de 22/03/06. Vale a pena.
METALEIRO
Metaleiro. Assim se chamava o papagaio que a Tia Tantan ganhou e levou para a sua fazenda. Ele ganhou esse nome porque dois dedos do seu pé direito eram duros e ficavam permanentemente esticados. Assim, quando ele levantava esse pé, parecia estar imitando a saudação característica dos metaleiros. Quem o conhecia melhor, como eu, sabia que fora esse pequeno detalhe, ele nada tinha de metaleiro, pois vivia quase sempre em absoluto silêncio. Uns achavam que ele era mudo. Outros diziam que devia ser uma fêmea, pois as fêmeas de papagaio praticamente não falam. Sei lá. Mas como todo papagaio que se preza tem que ser personagem de histórias gaiatas, logo surgiu uma lenda que divertia os amigos que nos visitavam: Uma vizinha, tendo ouvido dizer que tínhamos um papagaio, veio nos visitar trazendo a sua papagaia para cruzar com ele. Ao perceber o defeito no seu pé, disse que não ia dar, porque ele era aleijado. Ao ouvir isso, Metaleiro reagiu imediatamente: “A senhora trouxe a Loura para transar ou para jogar futebol?”. E, assim, mesmo caladão, Metaleiro foi entrando para o folclore da fazenda. Nunca deixava de ser citado.
Tia Tantan, que era uma tremenda gozadora, sempre que podia, gastava algum tempo junto à placa que servia de moradia para o Metaleiro tentando ensinar algumas frases para surpreender nossos visitantes, tipo “Ih, ele chegou com mala!”, “Maria, bota água no feijão”, “Outra vez?”, e por aí vai. Também não deixava de ensinar todos palavrões que conhecia. Essa segunda lição era dada em voz baixa para não criar uma situação embaraçosa entre ela e os empregados, que involuntariamente podiam flagrá-la dando suas aulas. Mas Metaleiro não se manifestava. Apenas prestava atenção, tal qual uma coruja. Certa vez, porém, eu estava lendo na varanda da sede da fazenda, quando comecei a ouvir uma sessão impressionante de xingamentos vinda do outro canto da varanda. Parecia até uma discussão de cais do porto. Tudo isso muito baixinho, quase sussurrado. Fui ver do que se tratava e para surpresa minha, verifiquei que era o Metaleiro, numa demonstração cabal de que havia aprendido muito bem os ensinamentos recebidos da Tia Tantan. Até mesmo no que diz respeito ao volume empregado para xingar.
Um dia o Metaleiro fugiu da sua placa, onde ficava preso pelo pé, por meio de uma correntinha. E fugiu levando junto a tal correntinha. Passamos o resto do dia procurando por ele e nada. Mais uma vez ele permanecia calado. Assim foi, até que a fome e a sede começaram a apertar. Aí, ele começou a emitir alguns sons e conseguimos localizá-lo. Ele estava no alto de um eucalipto. Preso. Quando ele pousou lá, a correntinha se enroscou num galho, prendendo-o lá em cima. Já estava anoitecendo e, por isso, o resgate teria que ser deixado para o dia seguinte. De manhã, bem cedo, começamos o salvamento. Tínhamos que deixar o assunto resolvido, pois íamos viajar logo após o almoço e não queríamos que ele corresse o risco de ser abandonado lá em cima. Pedi então ao Leleco, nosso caseiro, para encostar no eucalipto a maior escada disponível, para ele subir e resgatar o Metaleiro. Assim foi feito, mas a escada ainda era curta para resolver o problema, uma vez que acima do seu topo sobrava muito pé de eucalipto e o papagaio estava a pelo menos uns cinco metros mais ao alto. Diante disso, orientei o Leleco para pegar um machado, subir pela escada e, em seguida, pelo próprio eucalipto, até onde fosse possível, para então cortar o seu tronco, usando o machado. Ainda em dúvida, ele ponderou:
- Se eu fizer isso, ele vai cair e morrer da queda.
- E se ficar preso lá em cima, ele vai morrer de fome e sede. Portanto, é melhor a gente tentar, insisti.
Assim foi feito. Com as machadadas do Leleco, uma parte do eucalipto caiu de uma altura de uns dez metros diretamente na estrada de terra, ao lado do portão de entrada da fazenda. Junto com ela veio o Metaleiro. Antes que a gente pudesse reagir, eis que Metaleiro surge no meio dos ramos verdes do eucalipto e grita:
- Pôrra!!!
Jamais tinha falado assim, tão alto e tão claro. Estava salvo o papagaio da Tia Tantan.
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