O DIA DA VERGONHA

A última quarta-feira foi terrível para quem acredita que o Brasil pode entrar para o bloco dos países desenvolvidos. Claro que poder, pode. Mas é preciso que queira, que atue para que isso ocorra. E a última quarta-feira foi rica em exemplos dos motivos pelos quais nos mantemos no terceiro mundo. Como foi amplamente noticiado na imprensa, a pizzaria do Congresso funcionou a plena carga livrando da cassação mais dois parlamentares envolvidos no caso do mensalão, esquecendo que caixa dois, utilização de dinheiro de origem não explicada, declaração falsa de gastos de campanha, etc., são práticas que agridem a ética e a seriedade que devem ser esperadas daqueles que fazem as leis. Se não bastasse isso, o MST promoveu uma série de invasões a fazendas em vários pontos do país, em total desrespeito ao direito de propriedade previsto na nossa legislação. No Rio Grande do Sul, o MST atuou em conjunto com o Movimento das Mulheres Camponesas e a Via Campesina, em atos de barbárie, depredando o laboratório e o viveiro florestal da Aracruz Celulose, destruindo todo o material genético resultante de cruzamentos que vinham sendo feitos há 20 anos para melhorar a produtividade das plantações de eucalipto que abastecem a sua fábrica. Foram também destruídas quatro milhões de mudas destinadas ao plantio. Com a absoluta certeza da impunidade, o facínora João Pedro Stédile, que manipula esse bando composto de marginais e de inocentes úteis, declarou na TV que a luta do movimento agora não é mais contra o latifúndio, mas sim contra o capital internacional. São cabeças desse tipo que trabalham para que o atraso se perpetue no nosso país, para que elas continuem a ter seu espaço. Completando a quarta-feira trágica, vimos o Exército fazendo uma operação de guerra no Rio para recuperar as armas que lhe foram roubadas de dentro de um quartel por traficantes e a credibilidade da instituição. Um fato como este só chegou a ocorrer devido à omissão de sucessivos governos do estado do Rio de Janeiro, à corrupção, à falta de entrosamento das diversas polícias e à fragilidade da nossa Justiça. Em conseqüência disso tudo, os traficantes conquistaram territórios e subjugaram populações, que por medo e falta de confiança na proteção do Estado, fazem o jogo dos bandidos. Nosso desejo é que as armas sejam recuperadas e que a instituição Exército mantenha sua credibilidade. Todas as instituições deveriam ter credibilidade para termos uma sociedade sadia. Mas, infelizmente não temos dúvida de que tão logo seja concluída essa operação e o Exército entregue para o controle da polícia as áreas ocupadas, o tráfico vai voltar a fazer o seu negócio sujo e debochar daqueles que são pagos para defender a sociedade.
Amigos, ou as nossas autoridades assumem as suas responsabilidades e param de tolerar o intolerável ou o nosso país vira uma casa de tolerância.
Imagens (pela ordem): Sergio Lima (Folha Imagem), Sergio Lima (Folha Imagem), Reuters, AFP, Geoff Caddick (EFE).




- As exportações brasileiras alcançaram US$18,0 bilhões e as importações chegaram a US$12,4 bilhões nos dois primeiros meses de 2006. Ou seja, as exportações cresceram 12,8% e as importações 19,4%, comparadas com igual período de 2005. Isto é muito bom, pois estamos cada vez mais presentes no mercado mundial. Além disso, boa parte das importações destina-se à modernização das indústrias do país.
- O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) manteve a verticalização das alianças partidárias. Ou seja, as coligações partidárias feitas nos estados não podem contrariar as alianças para a disputa presidencial. Isto significa a exigência de um mínimo de coerência entre as articulações regionais e as coligações de cunho nacional.
- Traficantes assaltaram uma unidade do Exército no Rio, levando 10 fuzis e uma pistola, num ato de provocação e ousadia.
- As exportações brasileiras de veículos alcançaram US$707,6 milhões em fevereiro, a maior da história e 14,7% acima da verificada em fevereiro de 2005. Já a produção do mês atingiu 201.900 veículos. Tudo isso apesar da atual taxa de câmbio do dólar.
- O MST realizou várias invasões, depois de um período de hibernação que foi interrompido na semana passada, conforme AZIMUTH comentou. Desta vez houve roubo e depredações, além de declarações de desrespeito total ao direito de propriedade emitidas pelos seus dirigentes. Enquanto isso, o governo além de não tomar as providências cabíveis, tenta minimizar essa afronta ao estado de direito a que estamos assistindo.












