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BRASIL

VEREDA

Foto de N. Cotrim

Registro da tranqüilidade presente num parque existente no centro de Düsseldorf, na Alenhanha.

Bom fim de semana a todos...

O ASSALTO

Já faz tempo. Era a tarde de um sábado movimentado na cidade. Naquela noite aconteceria o Baile da Primavera, uma das principais promoções do maior clube local. Não se falava outra coisa e àquela hora o mulherio estava todo concentrado nas tarefas de praxe dessas ocasiões.

Tia Tantan saiu de casa apressada, pois tinha certeza de que o salão de cabeleireiro que costumava freqüentar devia estar lotado. Ela era carinhosamente assim chamada pelos amigos e pelos numerosos sobrinhos, de sangue ou apenas de coração, devido à alegria que transmitia e à sua enorme capacidade de fazer trapalhadas.

Quando chegou na tranqüila rua do salão, teve dificuldade para arranjar uma vaga para o seu fusquinha. Tão logo conseguiu estacionar, partiu rapidamente para lá, juntando-se ao grupo de mulheres que lá estava se embelezando e colocando a fofoca em dia, para também dar um toque especial nas suas madeixas.

Algumas horas depois, já noite, a cabeleireira liberou Tia Tantan. O salão já estava quase vazio. Das clientes, só tinha ficado lá a Dona Bené, porque ainda não havia completado sua revisão geral. Dona Bené era uma professora aposentada, casada com o presidente do clube onde aconteceria o baile. Tinha fama de ser mal-humorada e criadora de casos, mas naquele dia estava muito amável, pois afinal estava se sentindo a primeira dama da sociedade.

Tia Tantan, que sempre teve a sensação de estar atrasada para alguma coisa que nem ela mesma conseguia identificar, saiu apressada para o carro. Tentou abrí-lo várias vezes, mas a chave teimava em não obedecê-la. Como não podia perder muito tempo nessas tentativas, resolveu então forçar o vidro da porta do lado do motorista. Quando conseguiu baixar um pouco o vidro, esticou o braço para dentro do fusquinha até sua mão alcançar a maçaneta, e assim abriu a porta. Viu-se em seguida diante de outro problema. Por um motivo que ela não sabia explicar, a chave também não funcionava na ignição. Para enxergar melhor o que estava fazendo, acendeu os faróis do carro. Fez novas tentativas para que ele funcionasse, e nada. De repente, pelo espelho retrovisor, percebeu um adesivo de escola de engenharia colado no vidro traseiro, que positivamente não estava lá quando ela chegou ao salão. Numa fração de segundo percorreu com os olhos todo o interior do carro e logo descobriu que no banco de trás havia umas sacolas que também não eram suas. Olhou para frente e, com a ajuda dos faróis acesos, pôde ver o seu fusca estacionado uns vinte metros à frente, exatamente no local onde o deixara.

Sentiu um frio na espinha. Num instante percebeu que arrombara o carro de alguém. Provavelmente, o de Dona Bené. Sua memória também trouxe à tona instantaneamente um fato que acontecera tempos atrás: com essa mesma chave, certo dia estava tentando abrir um fusquinha, que imaginava ser o seu, quando um rapaz se aproximou e disse:

- A senhora não quer usar esta chave? E lhe deu uma outra chave de fusca.

Tia Tantan fez uma tentativa com a chave emprestada, e a porta logo abriu.

- Pois é, disse o rapaz. Este carro é meu.

Ela quase desabou.

Agora, sentindo-se reincidente, tremia e suava. Sua primeira reação foi sair dali o mais rápido possível. Tentou levantar o vidro da porta, mas este não queria subir de jeito nenhum. Com o auxílio de uma das mãos e acionando a manivela com a outra, acabou conseguindo fechá-lo. Saiu então apressadamente em direção ao seu fusca. No meio do percurso notou que a rua estava muito clara. Instintivamente, olhou para trás e quase desmaiou. Tinha deixado os faróis do carro acesos. Por um instante pensou o que fazer: Ir embora logo ou voltar e apagá-los? Decidiu voltar, mas para poder desligar os faróis foi obrigada a novamente arrombar o fusquinha e, depois, fechar o vidro no peito e na raça.

Feita essa nova operação, correu para casa. Ao chegar, entrou gritando de tal forma que quase matou de susto Pacheco, o seu marido. Queria falar, mas as frases saiam meio sem nexo. Depois de beber uns dois copos d´água e de se acalmar um pouco, conseguiu contar a sua história.

Pacheco, que era um sujeito quadrado e que gostava de tudo certinho, a censurou duramente por não ter voltado ao salão para verificar se o fusquinha era mesmo de Dona Bené e, se realmente fosse, ter combinado com ela que pagaria o vidro, além de pedir desculpa pelo ocorrido. Salientou, porém, que ainda havia um jeito. As duas certamente iam se encontrar no baile e aí Tia Tantan poderia se redimir. Insistiu muito nessa recomendação.

Ao chegarem ao baile, Pacheco continuava de cara fechada. Tia Tantan, que tinha o seu lado de psicóloga, logo entendeu que a noite estaria perdida se não atendesse o desejo dele. Na primeira oportunidade que teve, disse que ia ao toalete. No caminho, parou na mesa de Dona Bené.

De sua mesa, Pacheco a viu cumprimentar Dona Bené e o marido. Só não podia ouvir a conversa. Dona Bené comentou com Tia Tantan que a cidade estava ficando cada vez mais perigosa. Não se tinha mais tranqüilidade.

- Imagina que hoje, lá no salão, tentaram arrombar o meu carro. Graças a Deus não chegaram a roubar nada, mas estragaram um vidro.

Tia Tantan, com as pernas bambas, mas tentando aparentar estar apenas surpresa, só conseguiu dizer:

- É mesmo?

Encerrou a conversa o mais rápido que conseguiu e voltou para a sua mesa.

Pacheco estava ansioso para saber o resultado daquele encontro. Tia Tantan fez um carinho na sua mão e lhe disse:

- Está tudo esclarecido, pode ficar tranqüilo. Ela não quer nem que a gente pague o conserto do vidro.

Rapidamente Pacheco foi recuperando o bom humor. Tirara um peso da consciência, além de sentir que seus conselhos tinham dado um bom resultado. Pouco depois, todo meloso sussurrou ao ouvido de Tia Tantan:

- Vamos dançar? A música está ótima...

O AVANÇO CHINÊS

O PIB chinês cresceu 9,9% em 2005, chegando a US$2,3 trilhões. Com isso a China passou a ser a quarta maior  economia do mundo. Para se avaliar o ritmo desse crescimento, basta dizer que em 1990 os chineses ocupavam a 10ª posição. Em 2005, este ranking ficou assim:

1º - Estados Unidos = US$ 12,4 trilhões
2º - Japão = US$ 4,7 trilhões
3º - Alemanha = US$ 2,8 trilhões
4º - China = US$ 2,3 trilhões
5º - Reino Unido = US$ 2,2 trilhões
6º - França = US$ 2,1 trilhões
7º - Itália = US$ 1,7 trilhão
8º - Espanha = US$ 1,2 trilhão
9º - Canadá = US$ 1,1 trilhão
10º - Coréia do Sul = US$ 800 bilhões
11º - Brasil = US$ 789 bilhões

Apesar dessa evolução, nem tudo são flores na China. Tensões econômicas e sociais se acumulam devido às desigualdades e à concentração da riqueza. Além disso, o sistema bancário chinês é uma bomba que pode explodir em algum momento, devido a muitos empréstimos podres feitos. Portanto, mesmo tendo conseguido um inegável sucesso, nem tudo é maravilha por  lá. E não se pode esquecer que o regime local é uma ditadura. Assim, o preço de parte desse avanço é a limitação da liberdade dos seus cidadãos, embora eles talvez nem se dêem conta disso, porque antes era ainda pior.

No ranking dos emergentes, o mundo tem apostado num grupo de quatro países como candidatos a alcançar o patamar dos desenvolvidos: China, Índia, Rússia e Brasil. Nesse grupo, infelizmente estamos ficando para trás, com um crescimento do PIB bem inferior ao dos nossos concorrentes. Os mais afoitos vão concluir rapidamente que a causa disso é a nossa política econômica. Sem querer entrar em polêmica, achamos que as verdadeiras causas são a não implantação das reformas tributária, previdenciária, eleitoral, da Justiça e outras tantas, a falta de investimentos em infraestrutura, a má qualidade do ensino e a corrupção. A política econômica vigente é apenas uma ferramenta que felizmente vem sendo administrada adequadamente e num rumo bem definido, apesar  de algum excesso de precaução.  É uma exceção no caos reinante. Se assim não fosse, o máximo que poderíamos ter era uma bolha de crescimento, que logo estouraria como as bolhas de sabão.

"Em festa de jacu, nhambu não entra."

Autor: ditado popular

NOVIDADES NUM ANO DE ELEIÇÕES

De olho no eleitorado mais pobre, Lula aprovou o aumento de R$300,00 para R$350,00 a  partir de 1º de abril no salário-mínimo, o que significa um acréscimo real de 13%, o maior concedido desde 1985. Essa medida atinge 40 milhões de trabalhadores e beneficiários da Previdência, que recebem 1 salário-mínimo e seu impacto direto na massa de rendimentos em 2006 é de R$ 11 bilhões. Muito bom. Mas, seu efeito nas contas públicas é um rombo adicional de R$5,6 bilhões na Previdência e de R$1,2 bilhão  nas prefeituras. Isso mostra que a mágica não é tão fácil assim, até porque há a Lei de Responsabilidade Fiscal, que precisa ser preservada para que um dia o país consiga um desenvolvimento sadio e sustentado, ou seja, com as suas contas equilibradas. Adicionalmente, são necessárias medidas menos agradáveis, mas indispensáveis: a conclusão da reforma previdenciária, eliminando as distorções e privilégios ainda existentes, mesmo que mantenha “os direitos adquiridos”, ou seja, fazendo com que as mudanças só sejam introduzidas daqui para frente; e a eliminação de pequenos municípios sem capacidade de se sustentar, através da sua fusão com outros, formando um novo que tenha essa capacidade. Será que os nossos políticos teriam essa disposição?

A outra medida de impacto anunciada pelo governo foi a correção de 8% na tabela do Imposto de Renda a partir de fevereiro. Essa providência beneficia 7 milhões de contribuintes e seu efeito nas contas públicas é de R$1 bilhão na União e R$1 bilhão nos Estados e Municípios. Ela vem no sentido de reduzir a tributação a que estamos todos submetidos, o que é muito bom. A compensação a ser buscada pelo governo, neste caso, deve ser através do combate à sonegação e da melhor aplicação das suas receitas. Se todos pagassem impostos, e se esses impostos fossem bem gastos, o nível da tributação poderia ser bem menor.

"Não existe almoço de graça."

Autor: Milton Friedman

Buscar na Web "Milton Friedman"

Quando: (1912-    )

Vencedor do Prémio Nobel de Economia de 1976. Leia mais...

UM POUCO DE BOM-SENSO

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, escreveu recentemente o artigo “2006 e o Futuro do País”, no qual faz uma análise dos problemas que vêm atrasando o desenvolvimento do Brasil, e afirma que poderemos construir uma sociedade melhor se não errarmos muito. Lembra também que foi a continuidade de boas políticas que assegurou um futuro melhor à Espanha e ao Chile e que para obtê-la é fundamental o convencimento da sociedade da justeza dos rumos.

Dentre os problemas citados, cabe aqui a transcrição do trecho que aborda o ensino no país: “Os candidatos devem se comprometer a assegurar a expansão e a melhoria do ensino fundamental e do ensino médio (maior número de horas de aula e melhor qualificação do professorado, bem como melhores salários). E também a desatar o nó do sistema universitário federal, enrolado em greves e demandas corporativas, bem como a cobrar mais qualidade do ensino superior privado. Só a transformação da educação na grande bandeira do futuro nos tornará um país desenvolvido. Além do mais, a educação é a alavanca fundamental para a mobilidade social e para a redução das desigualdades.”

Concordamos com FHC em gênero, número e grau. Os amigos que nos acompanham aqui no AZIMUTH são testemunha disso, pois a nosso ver, este é o caminho. O caminho que os populistas não querem nem ouvir falar. Para eles, os nossos problemas podem ser resolvidos de forma definitiva oferecendo refeições a R$1,00 e até casas a R$1,00. Esse tipo de mágica nem David Copperfield ousou tentar.

"Não conheço uma fórmula infalível de governar. Mas conheço a fórmula infalível de fracassar: tentar agradar a todos."

Autor: John F. Kennedy

Buscar na Web "John F. Kennedy"

Quando: (1917-1963)

John Fitzgerald Kennedy, o 35° presidente dos Estados Unidos. Leia mais...

FOLHEANDO OS JORNAIS

Após correr a vista pelos jornais desses últimos dias, senti que não tinha muito assunto para comentar. A novela da cassação dos envolvidos com o mensalão continua a se arrastar, sem que se chegue finalmente à sua punição. O Lula continua a fazer a campanha para a sua reeleição, enquanto jura que ainda não decidiu se vai querer se candidatar, e se dedica ao seu passatempo favorito: comparar o seu governo com o do FHC. Governar mesmo, nem pensar. No Rio 40 graus, o de sempre: os bandidos agindo com a habitual desenvoltura. Desta vez, as vítimas foram 33 turistas ingleses que sequer conseguiram chegar ao hotel, após desembarcar no Aeroporto do Galeão. Foram depenados durante o trajeto, por três bandidos armados, no centro da cidade e liberados no aterro do Flamengo. Agora, estão fazendo seus passeios acompanhados por seguranças contratados. Um vexame para nós. As estradas  continuam a ser palco de inúmeros acidentes, que matam milhares de brasileiros todos os anos. Neste fim de semana, o caso mais grave envolveu o choque frontal de dois ônibus de uma mesma empresa, no interior de São Paulo. Perderam a vida 33 pessoas e há muitas outras feridas. Seria bom ressuscitar o novo código de trânsito, que foi aposentado precocemente. Mas, para valer.

De bom só as notícias referentes às exportações feitas em 2005. Segundo o Ministério da Agricultura, as exportações do setor agrícola estão passando por uma revolução. As vendas externas de produtos processados, com maior valor agregado, cresceram o triplo do verificado com os produtos básicos, tendo dado um salto de 34% em relação ao total alcançado em 2004. Mas, bom mesmo foi a vitória do Botafogo sobre o Vasco, por 5x3. Que me desculpem os vascaínos, mas isso foi bom demais. Não dá para ficar calado.

"Em terra de sapo, mosquito não dá rasante."

Autor: ditado popular

LEMBRANDO O ARTESANATO

O Brasil é extremamente diversificado culturalmente, fato evidenciado de muitas diferentes maneiras, seja na música, na dança, na pintura, no artesanato e em muitas outras formas de manifestação. Tudo isso constitui um rico filão a ser aproveitado, especialmente se tratado em conjunto com o turismo. Chegará o dia em que as autoridades do país vão finalmente dar ao turismo o tratamento prioritário que ele merece, tendo em vista o que o país pode oferecer aos visitantes internos e externos. Só para dar uma idéia, o México, por exemplo, recebe quatro vezes mais turistas que o Brasil.

Junto com o turismo, caberá um esforço para desenvolver e organizar os muitos pólos de artesanato que existem espalhados pelo país, envolvendo uma ampla gama de matérias-primas e uma grande criatividade. Governos, fundações e entidades beneficentes podem ajudar nesse esforço incentivando e promovendo a criação de cooperativas que se dediquem a organizar e apoiar os artesãos, visando dar a eles melhores condições para desenvolver as suas atividades, possibilitar o acesso de seus filhos à escola e  convênios-saúde às suas famílias. Além disso, essas cooperativas poderiam contratar a assistência de designers, para melhorar, quando recomendável,  o estilo dos produtos desses artesãos. Isso se aplica aos casos de cerâmicas, bijuterias, tecelagem, etc.

O benefício social de um projeto desta natureza, desenvolvido com seriedade, poderia gerar muitos milhares de empregos e uma boa renda para as famílias mais pobres e para as pessoas de menor nível de instrução, ou seja, justamente aquelas que têm maior dificuldade de colocação no mercado de trabalho.

A Marvada Pinga

http://torneimeumebrio.blogspot.com/

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