VELEJANDO

Registro da curtição de verão no mar de Cabo Frio.
Bom fim de semana a todos...
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CONSIDERAÇÕES SOBRE TPM
TPM quer dizer Total Productive Maintenance, ou seja, Manutenção Global do Sistema Produtivo. O TPM começou numa empresa do Grupo Toyota, no Japão, em 1971. Envolve todos, em todos os níveis, na área em que estiver sendo aplicado.
Com o TPM promove-se uma integração do homem com a máquina, passando seu operador a ser também um agente de sua manutenção, da mesma forma como cada um faz com seu próprio corpo, evitando a sua degeneração. Fazemos a higiene pessoal e nos medicamos nos problemas mais simples. É exatamente isso que o TPM nos ensina a fazer com os equipamentos. Assim, busca-se acabar com o conceito de que a operação produz e a manutenção repara. O que atua de fato é o sistema produtivo. Por isso, é preciso dar a todos conhecimentos adequados. O treinamento e o desenvolvimento do pessoal são essenciais. É fundamental uma mudança na postura de todos. TPM significa, então, a melhoria das pessoas e das máquinas, o que resulta na melhoria da própria empresa.
Com o TPM objetiva-se minimizar os custos e maximizar os resultados. Para isso, tem-se que eliminar as perdas ou as “quebras” que geralmente estão presentes no processo produtivo. O que se quer é “perda zero”. E quais são essas perdas? Essas perdas são:
- Perdas por quebra do equipamento;
- Perdas por troca de programa e regulagem;
- Perdas por operação em vazio;
- Perdas por produção abaixo da velocidade normal;
- Perdas por produção de peças defeituosas ou que requeiram reprocessamento;
- Perdas por rendimento abaixo do padrão normal.
Essas são as chamadas “6 Grandes Perdas”. Para evitá-las, são necessárias medidas inovadoras. Evitando as perdas, estaremos maximizando os resultados. A soma dessas pequenas perdas é igual a uma tragédia.
O primeiro ponto a atacar é a limpeza (tal como o banho das pessoas). É necessário fazer inspeções para verificar o estado de limpeza dos equipamentos, objetivando eliminar a causa da sujeira. Esse aspecto pode motivar até a alteração de projetos de novas unidades desses equipamentos.
A implantação completa de um programa de TPM numa certa área leva cerca de três anos, mas os primeiros resultados concretos e significativos já começam a ser percebidos logo nas primeiras etapas.
ENTRE ASPAS
"É fundamental haver uniformização do entendimento dos conceitos, da nomenclatura e dos indicadores que permitem o controle dos processos de produção, manutenção, utilidades, qualidade, etc., para que se possa efetivamente administrar uma empresa."
(Seiichi Nakajima, professor japonês, criador do TPM)
"Enquanto as perdas e retrabalhos vão ocorrendo na sua empresa, seu concorrente que não tiver esse tipo de problema vai colocando seus produtos no mercado."
(José Guilherme Lameira Bittencourt, consultor do IBQN)
Os textos apresentados nesta seção são um extrato de trabalhos publicados em livros e revistas especializadas em administração.
RECORDE NA PRODUÇÃO DE CARROS

Apesar das constantes queixas do setor contra as elevadas taxas de juros e a taxa de câmbio, que estariam prejudicando o desempenho das montadoras, a indústria automobilística brasileira estabeleceu dois novos recordes em 2005: número de veículos produzidos e exportações. A produção de veículos atingiu a marca de 2,45 milhões de unidades, 10,7% acima do recorde anterior, de 2004, quando 2,21 milhões foram fabricadas. Do total de veículos produzidos, 1,72 milhão de unidades foram comercializadas no mercado interno, mas o recorde continua sendo de 2,0 milhões, obtido em 1997. Já as exportações chegaram ao recorde de 730 mil unidades, com uma receita global de US$ 11,2 bilhões, um valor 33,5% acima do obtido em 2004.
Por esses números, pode-se imaginar o quanto poderíamos melhorar se o governo fizesse mesmo as reformas que o Brasil precisa, reduzindo os custos de forma a permitir que os juros caíssem para um nível compatível com os praticados pelos países mais desenvolvidos. Como conseqüência, o próprio câmbio se ajustaria a um nível mais favorável para nós e o Brasil teria uma maior taxa de crescimento.
FORA DA REALIDADE

Se já não bastassem as constantes notícias de mensalão, mensalinho, pizzas de todos os sabores, auxílio-férias efetivamente gozadas, produção quase nula do Congresso e muitas outras que tanto nos causam indignação, agora surgem notícias de que há uma proposta a ser discutida na Câmara dos Deputados para aumentar o número de deputados federais, que atualmente já é de 513. Considerando que cada um desses parlamentares dispõe de 33 funcionários muito bem pagos com o meu, o seu, o nosso dinheirinho arduamente ganho, dá para sentir porque não sobram recursos para investimentos que ajudem o país a crescer, embora sejamos todos submetidos a um total sufocante de impostos. Se houvesse seriedade e respeito aos brasileiros, a proposta deveria ser no sentido inverso. Se com 513 deputados a confusão já é enorme e a produtividade ridícula, imagine com mais gente zelando prioritariamente pelos seus interesses pessoais. O que precisamos de fato é de qualidade e não de quantidade.
"Dinheiro público é como água benta: todos põem a mão."
Autor: ditado italiano.
DISCURSO HISTÓRICO - 1/2
AZIMUTH recebeu de leitores amigos o texto abaixo, que embora longo merece ser lido, palavra por palavra, por todos aqueles que desejam dias melhores para o nosso país. Leia com atenção:
”Discurso de José Galló, CEO das Lojas Renner, ao agradecer o título de Personalidade de Vendas do Ano, recebido da ADVB, em 21 de novembro de 2005.
Senhoras e senhores.
Caros amigos.
Boa noite.
Quero cumprimentar as empresas vencedoras do Top de Maketing 2005 da ADVB e parabenizar o empresário Jorge Gerdau Johannpeter pelo troféu Peter Drucker. Sinto-me lisonjeado com a distinção que a ADVB me oferece - Personalidade de Vendas do Ano. Devo confessar que a deferência me encheu de orgulho e me fez pensar muito. Como personalidade de vendas, o que gostaria de vender para vocês?
Diante do panorama inquietante do país - da grande falta de valores, miséria, violência e indecência na política - vislumbro uma única reação possível e urgente: apostar nos princípios e valores que pautam nossas vidas pessoal e profissional, hoje suplantados por atitudes e práticas distorcidas. Nós não compactuamos com essa realidade. Precisamos e devemos mudar. É isso que quero vender hoje aqui: Um artigo que anda escasso no cotidiano brasileiro, valores fundamentais que nos fazem falta, pois dão sustentação à verdadeira democracia. Como vivemos em um país imenso e temos muitos "Brasis", precisamos ter um mínimo de valores comuns - como ética, decência, veracidade, honestidade, justiça - para estabilizar nosso presente e construir um futuro digno para todos.
Quais os valores da sociedade em que vivemos? Como se distinguem? Parece que já não sabemos diferenciar valor de contra-valor na sociedade permissiva e passiva de hoje. O aviltamento dos padrões éticos, a falta de legitimidade das instituições e sua crescente deterioração e a falta de punição aos que legitimam os contra-valores minam e paralisam nossa capacidade de reação. Estamos todos anestesiados. Mas se quisermos - e queremos, com certeza - viver em um país sério e justo precisamos nos impor e restaurar nossos valores. Liberdade, justiça, honestidade, ética, respeito, transparência, dignidade, bem estar social. São valores. Injustiça, desonestidade, deslealdade, oportunismo, corrupção, esperteza. São contra-valores. Quem vai ganhar esta batalha?
A crise política brasileira dos últimos meses é a maior prova de que vivemos uma carência enorme de valores. Fatos recentes evidenciam que perdemos o bom senso e a noção de justiça e de ética. Os escândalos, a corrupção, o mau uso de verbas e o comportamento de muitos homens públicos geram ainda mais incertezas. Dora Kramer, articulista do jornal O Estado de São Paulo, comentou em 22 de outubro a decisão do Supremo Tribunal Federal de soltar Paulo e Flávio Maluf. O que mais a intrigou foi a declaração do ministro Carlos Velloso que " ficou sensibilizado pelas precárias condições em que pai e filho estavam presos". Delegacias e penitenciárias estão cheias de homens e mulheres que cumprem pena em péssimas condições. Por que o sofrimento dos Maluf comove mais? É bom lembrar ao ministro que esse pai, Paulo Maluf, é investigado pelo desvio de um bilhão de dólares do país, ou 2,5 bilhões de reais, dinheiro público que daria para construir mais de 150 hospitais e salvar milhares de vidas. Se cada um desses hospitais atendesse 200 pessoas por dia, 10 milhões de pessoas seriam beneficiadas anualmente.
Em editorial de 21 de outubro, O Estado de São Paulo comentou o comportamento do presidente do Supremo Tribunal Federal durante a votação do pedido de liminar para a suspensão do processo de cassação aberto contra o deputado e ex-ministro José Dirceu, no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Segundo o editorial, o presidente do Supremo conduziu os trabalhos "como se estivesse tocando uma câmara de vereadores interiorana, forçando seus membros a votar de acordo com os interesses que, por algum motivo, queria preservar". Foi arrogante, ríspido e preconceituoso com os demais ministros, "furtando-se a quaisquer considerações de natureza jurídica". Que estranhos valores são esses! Onde fica a justiça dos homens, o discernimento e o respeito pelo direito do outro?
A rotina de escândalos, que culminou com a descoberta do mensalão, escancarou as inúmeras negociatas entre governos, partidos, empresas públicas e privadas. Deputados e senadores, eleitos por nós, nossos representantes no Parlamento, trocaram sua dignidade e a confiança dos eleitores pela mercantilização da sua posição política - favores, apadrinhamentos, cargos. Tudo com o fim de garantir a permanência no poder. O que mais espanta é que não se constrangem ao assumir a compra de votos e o caixa 2. Até declaram que poderiam ter resolvido as dívidas passadas ou fazer caixa para campanhas futuras com os fornecedores do Ministério onde atuavam, mas preferiram procurar o tesoureiro do partido. Assim fez o ex-ministro dos Transportes, Anderson Adauto. Admitiu suas "malfeitorias" e deixou explícito que esse tipo de crime é recorrente, faz parte dos usos e costumes. É praticamente uma prerrogativa de um titular de pasta ministerial. Diante da profusão de atos ilícitos, já aceitamos barbaridades como fatos banais. Estamos mesmo anestesiados!
De onde vieram os milhões do mensalão que circularam por gabinetes, malas e cuecas país afora? Da sonegação, do contrabando, da pirataria, do abuso de poder, da conivência, do desvio, da impunidade, do "deixa pra lá". Da ausência de valores! Enquanto combatemos as práticas irregulares que afrontam as leis no país, como explicar que um produto pirateado - um filme em DVD - tenha chegado ao avião do presidente da República? A naturalidade com que convivemos com a pirataria mostra nossa flexibilidade em relação ao crime. Falta seriedade no combate ao mercado informal e aos vícios criminosos que interferem na economia. Falta ética na concorrência, eficiência no gerenciamento das contas públicas, no controle de gastos, na administração de receitas e despesas. Essas práticas não combinam com os avanços democráticos que conquistamos. Democracia implica em leis funcionais, sem formalismos jurídicos nem jogo de faz de conta, sem o já conhecido "jeitinho brasileiro". Não podemos compactuar com a tese de que "sempre foi assim". Não podemos minimizar a gravidade dos fatos e das acusações. Para onde vão os recordes da arrecadação federal? O Estado criado para gerir e servir, recolhe milhões em impostos e não devolve nada à população. Ele mesmo consome os 40% do PIB. (continua abaixo...)
DISCURSO HISTÓRICO - 2/2
Não podemos mais permitir os pequenos delitos que geram os grandes delitos. Quando não exigimos nota fiscal, nos tornamos cúmplices da ilegalidade que se instaurou no país. E se sonegamos, não podemos exigir saúde, educação, trabalho, produção, segurança, direitos básicos do cidadão. O que resta para os milhões de jovens brasileiros que acompanham diariamente os escândalos da política pela mídia? Que valores nossos representantes no Parlamento transmitem a esses jovens ainda em formação, estudantes ou recém chegados ao mercado de trabalho? Que valores passam à população do país?
É espantosa a falta de austeridade em relação aos gastos públicos. Levantamento do jornal O Estado de São Paulo mostrou que o governo federal já gastou mais de um bilhão de reais só com diárias de viagens. Nos últimos dois anos, há casos de servidores que receberam até 168 mil reais. Alguém pode me explicar o motivo de tanta viagem? Pois esse dinheiro gasto na "farra das diárias" é cinco vezes maior do que o orçamento do Ministério da Cultura para este ano. 44 vezes maior do que o total investido no programa Primeiro Emprego. Isso sem falar nas verbas que são desviadas e nunca chegam ao seu destino.
Perdeu-se o respeito pelo dinheiro público, arrecadado pelos inúmeros e caros impostos pagos pela população e pelas empresas, fruto do trabalho duro de milhões de brasileiros. Não só pagamos impostos, mas ainda pagamos as despesas pelo pagamento desses impostos e não sabemos exatamente o quanto pagamos. Há uma grande ausência de princípios na forma de governar, de gerenciar empresas e entidades e nas atitudes de muitos homens públicos que detêm o poder político e econômico nesse país. Um governo, assim como uma empresa ou uma entidade, precisa ter valores e projetos claros. O que pensar quando dois senadores da República e um deputado federal ameaçam "dar uma surra" no presidente do país?
A que ponto chegamos, senhores! Onde está o decoro parlamentar e a dignidade de quem foi eleito para defender os interesses da nação? O que fazer quando o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil - depois de receber 326 mil reais do valerioduto e gastar 70 mil reais na compra de mesas para um show - envolve-se em outro escândalo: o uso do cartão corporativo do Banco para pagar despesas com sites pornográficos da internet? Esse mesmo diretor recebeu um envelope com mais de 300 mil reais e disse que não conferiu o conteúdo. Já o presidente do Banco Popular - destinado a prestar serviços bancários para pessoas de baixa renda - conseguiu gastar mais em publicidade - 24 milhões de reais - do que em empréstimos ao povo - 20 milhões de reais.
Segundo a Revista Veja de 26 de outubro, não nos falta polícia. Temos 322 policiais por grupo de 100 mil habitantes, enquanto que os Estados Unidos tem 283. Não nos faltam juízes. Temos 7,73 juízes para cada grupo de 100 mil habitantes, enquanto que o Chile tem 3,22 juízes para o mesmo número de habitantes. O que nos falta, então? Menos leis e mais aplicação correta, ao invés de milhares de leis que se sobrepõem e confundem a todos, propiciando o adiamento de decisões, postergações, decursos de prazo. No Brasil, as penas prescrevem e a pessoa é declarada inocente, pois não é julgada a tempo. No Brasil, vale a lei da impunidade. Falta eficiência nas investigações, no julgamento dos processos, no gerenciamento das políticas públicas.
A máquina pública brasileira sofre de incapacidade gerencial. Os gestores não conseguem gastar com eficiência o pouco dinheiro que sobra para investimentos. Em três anos de governo Lula, a folha de pagamento do Legislativo cresceu 53,6%; do Judiciário, 35,5%; do Ministério Público da União, 45,2% e do Executivo, 27,8% - todos acima da inflação acumulada de 24,5% ocorrida nesses três anos. Fala-se muito na redução de juros, mas pouco nas despesas do governo. A ministra Dilma precisa saber que também é rudimentar e indecente a maneira como o governo aumenta suas despesas, o que torna os juros ainda maiores. Os investimentos em infra-estrutura e projetos econômicos e sociais dirigidos à população ficaram abaixo de 1% do PIB entre 2003 e 2005. Mais um dos tantos sintomas que comprovam a ausência de VALORES.
E nós, cidadãos e empresários aqui presentes, como ficamos diante disso? Já nos perguntamos que Brasil queremos? Somos responsáveis e temos que sair dessa passividade com urgência. Nós, empresários, líderes, homens e mulheres de bem, políticos corretos, trabalhadores que queremos viver em um país digno precisamos de atitude. É hora de acordar dessa isenção preguiçosa e assumir nossas responsabilidades. O Brasil somos nós. É preciso superar velhos e confortáveis hábitos que nos conduzem pela mesma trilha e dizer o que ainda não se disse e precisa ser dito. Quando deixamos de sonhar ou de ter esperança, sucumbimos tanto na vida pessoal, como profissional ou coletiva. Cabe a nós dar um basta à corrupção e à ineficiência, práticas que só se expandem em sociedades precárias e fracas.
A utopia está tanto nos grandes movimentos sociais que a história conheceu, como nos pequenos atos de cada um de nós, que podem mudar o nosso Brasil. Proponho uma reflexão profunda e um trabalho incessante pela recuperação dos valores que aprendemos com nossas famílias. Vamos expor nossa revolta, nos transformarmos em verdadeiros agentes que podem redimir este país. Não podemos deixar que os contra-valores vençam esta guerra. O país que queremos para nossos filhos e netos não é este. Queremos um país que gaste menos e onde todos paguem menos impostos; um país que aplique bem os recursos arrecadados; que invista em saúde, segurança, educação, geração de emprego e no bem estar da população. Um país que não figure mais no 71º. lugar do ranking da Unesco em educação. Um país que respeite sua gente!
Vamos levantar a bandeira dos valores que aprendemos, eliminar os contra-valores, voltar a sentir orgulho, divulgar as boas ações, as boas práticas, os valores verdadeiros e fazer do Brasil um país digno e justo, que traga futuro para todos nós. Chega de tolerância, virtude brasileira hoje tão permissiva. Não vamos aceitar pequenos delitos, pequenas infrações, pequenos roubos, pequenas corrupções e pequenos desvios que insuflam os grandes e são alimentados pelo tradicional "jeitinho brasileiro", que acha solução para tudo. Não há meio termo quando a questão é ética. Ou se é honesto ou não se é honesto. Como cidadãos, somos agentes da mudança. E a mudança está em dizermos não aos agentes dos contra-valores.
Confiante na minha capacidade de venda, com a certeza de que vendi o produto VALOR e encontrei eco em cada um de vocês, finalizo lembrando um artigo do escritor baiano João Ubaldo Ribeiro:
"Somos a matéria prima desse país e temos muitas coisas boas, mas nos falta ainda muito para sermos os homens e mulheres que nosso Brasil precisa. Esses defeitos, essa ESPERTEZA BRASILEIRA congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, real e ruim, tem que acabar".
A responsabilidade é de todos nós!
Boa noite!
José Galló, CEO das Lojas Renner”
CAIXA DOIS

Para combater a prática do caixa dois nas próximas eleições, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) baixará novas normas. A primeira delas, deverá proibir saques em dinheiro das contas bancárias de candidatos e partidos políticos para arcar com gastos de campanha eleitoral. A movimentação financeira dos comitês de campanha deverá ficar restrita à emissão de cheques nominais ou transferências eletrônicas para as contas de fornecedores e prestadores de serviços. Outra medida será a obrigatoriedade de os candidatos fazerem prestação de contas de 15 em 15 dias durante a campanha, inclusive divulgando os doadores e os valores recebidos e os gastos. Uma terceira medida será tornar o próprio candidato o responsável maior pela prestação de contas. Portanto, se for verificada alguma irregularidade, caberá a ele responder por isso e não ao tesoureiro ou ao partido. Finalmente, deverá ser assinada uma portaria selando uma cooperação da Receita Federal com a Justiça Eleitoral para a fiscalização da contabilidade das campanhas eleitorais.
Ótimo. São boas essas medidas para combater o festival de irregularidades que estamos assistindo. Mas elas só terão efeito positivo se forem para valer. O que nos levou à situação atual é a impunidade, porque leis já existem. O que é preciso é a sua aplicação. A impunidade é a causa básica do caixa dois das campanhas eleitorais e de todos os demais casos de desvios de conduta e de violência que tanto tem afligido as pessoas de bem no nosso país. O que é de fato necessário é acabar com todo tipo de impunidade. A certeza da punição inibirá a prática do crime em geral.
"Se uma pessoa puder mentir, trapacear e roubar, e nunca ser pega, por que deverá ser honesta?"
Autor: Glaucon
Irmão de Platão
EXPORTAÇÃO RECORDE - 2

Como divulgado anteriormente aqui no AZIMUTH, em 2005 o Brasil bateu seu recorde de exportações, atingindo uma venda total de US$118,3 bilhões, apesar do câmbio desfavorável e dos problemas enfrentados no campo – secas no Sul e ocorrência da febre aftosa.
O problema do câmbio, que tanto tem gerado protestos, na verdade, não afetou muito o desempenho das exportações, pois a média mensal das vendas no 1º semestre foi de US$8,946 bilhões e no 2º semestre foi de US$10,772 bilhões, provavelmente por efeito do aquecimento da demanda mundial e pela elevação do preço das commodities. Por outro lado, houve uma ampliação no leque das exportações, seja pelo aumento da diversidade de produtos, seja pela abertura de novos mercados. Mesmo assim, a nossa participação no mercado mundial ainda é mínima, tendo evoluído de 0,85% do total em 2000 para 1,13% em 2005. É muito pouco. Temos um longo caminho pela frente e precisamos melhor aproveitar as nossas vantagens competitivas. Nesse particular, o agronegócio apresenta um enorme potencial, pois temos área, clima, posição geográfica favorável para atingir com vantagem os principais mercados consumidores e tecnologia (que teve um enorme salto qualitativo desde que foi cria da a Embrapa, na década de 1970). Só como exemplo deste potencial, atualmente o Chile exporta mais frutas que o Brasil.
Em 2005, a composição das exportações brasileiras foi aproximadamente a seguinte: produtos básicos (minérios, petróleo e produtos agrícolas não manufaturados) – 30%; produtos semi-manufaturados – 14%; manufaturados – 56%. Para continuar o crescimento das nossas vendas, além da manutenção da atual política econômica, é necessário que o governo atue para melhorar a infraestrutura e para ampliar as linhas de financiamento. No mercado internacional, a briga é de cachorro grande. Além de qualidade, é necessário ter preço e condições adequadas de financiamento. Se você não tiver isso, alguém terá.
O CAMINHO É A EDUCAÇÃO

Ainda é comum ouvirmos alguém dizer, por exemplo, que não devemos permitir que estrangeiros construam aqui suas usinas siderúrgicas para consumir o nosso minério de ferro, porque ele é estratégico. Nada mais errado, pois minério de ferro é um dos minerais mais abundantes no nosso planeta e, além disso, enquanto estiver no solo não gera riqueza nem empregos. E se for exportado como minério tem pequeno valor. Se for processado em alguma usina siderúrgica no país, seja de capital nacional ou de capital estrangeiro, o aço dele resultante terá um valor de comercialização muito maior e o processo de transformação, por mais automatizado que seja, exigirá a utilização de mão-de-obra local e gerará impostos que poderão ser investidos no desenvolvimento da nossa terra. Repetindo: minérios de um modo geral não são estratégicos. Não passam de commodities. O que é, de fato, estratégico é a educação. Esta, sim, faz a diferença.
O Japão, hoje um país muito rico, a segunda maior economia do planeta, é desprovido quase que totalmente de recursos naturais. Tendo constatado isso, investiu no único bem abundante que tinha: o seu povo. E o resultado é bem conhecido. Caso semelhante, e mais recente, mas com resultado igualmente notável, é o da Coréia do Sul. O Brasil devia seguir com a máxima prioridade o caminho adotado por esses países, o caminho da educação, melhorando e universalizando o ensino básico, como já abordamos no Papo Firme anteriormente, e fazendo uma reforma ampla no ensino superior, permitindo convênios com entidades mundialmente reconhecidas, como Harvard, MIT e várias outras, para que estas abram cursos de pós-graduação e doutorado no país; importando cérebros para trabalhar nas nossas universidades; aproximando muito mais as universidades das empresas e órgãos governamentais, para que as universidades possam estudar mais intensamente do que atualmente os problemas nacionais e para que possam realizar as pesquisas demandadas pelas empresas. Assim, além de receber o produto encomendado às universidades, a sociedade em geral estaria contribuindo para uma melhor formação das nossas próximas gerações. O conhecimento obtido nesse processo de integração e direcionamento é que seria valioso e impulsionaria o nosso desenvolvimento. Vale lembrar que diferentemente dos produtos que são comercializados, em que você ao vender um bem, recebe pela venda, mas fica sem o bem, quando você vende conhecimento, recebe pela venda, mas continua com o seu bem. O mais nobre dos bens. A chave do nosso desenvolvimento como nação está no maciço e prioritário investimento nas pessoas. Educadas elas farão surgir o Brasil que todos desejamos.
"A competitividade das nações depende, cada vez mais, da qualidade dos seus recursos humanos e não da quantidade de seus recursos naturais."
Autor: Olivier Bertrand
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