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NATASHA QUERIDA (1/3)

 

Esta é a história de uma relação intensa, que provocou uma revisão profunda nos meus valores. Durou quatorze anos. Até agora ainda não consegui assimilar o tremendo impacto que me causou a morte da minha Natasha querida, uma dor cuja grandeza ultrapassou todas as previsões que eu tinha feito.

 

Sua história provavelmente é semelhante à de muitos outros cachorros. Aqueles que já perderam um desses parceiros de todas as horas, leais e amigos sinceros, devem saber exatamente do que estou falando. Como eu, devem ter compreendido que essa convivência foi uma oportunidade que tiveram de praticar um poderoso exercício de crescimento interior. Esses companheiros são, na verdade, mestres em tempo integral, com ilimitada capacidade de nos transmitir sólidas lições de vida. Basta a gente prestar atenção.

 

Até nossas vidas se encontrarem, eu jamais poderia supor que um amor tão forte dirigido a um animalzinho pudesse se instalar de forma tão definitiva dentro de mim. Pode parecer ridículo, mas não me importo. Este amor vem de dentro de mim, e não tenho vergonha de confessá-lo. Natasha era uma linda cadelinha poodle, de pelo branco achampanhado, extremamente inteligente, carinhosa, especial. Tão especial que em pouco tempo passou a ser considerada como um membro da minha família, passando assim a ter pai, mãe e irmão humanos. E não há dúvida de que ela também se sentia assim, como filha e irmã. Além disso, ela se sentia nossa guardiã e protetora, não lhe importando o seu tamanho. Essa era a sua missão.

 

Tudo começou quando minha mulher passou a demonstrar o desejo de possuir um cachorro de uma raça que pudesse viver dentro de casa e que lhe fizesse companhia. Coloquei-me veementemente contra essa idéia, pois só conseguia ver inconveniências nisso. Foram alguns meses de tentativas, sempre com minha forte oposição. Por fim, sua teimosia venceu e ela acabou levando para casa a Natasha, então um filhote com cerca de dois meses de idade. Desde o primeiro instante, com seu temperamento alegre e carinhoso, Natasha começou a abrir o seu espaço na sua nova residência e no coração de todos. Particularmente eu, que tanto reagira à sua chegada, fui diminuindo a resistência e começando a me interessar por ela.

 

Em pouco tempo, e com a orientação da sua protetora, Natasha passou a me esperar na porta do apartamento todo fim de tarde, quando eu chegava do trabalho. Sempre limpinha, muito bem escovada e cheia de charme, ela pulava nas minhas pernas e gritava de alegria tão logo eu abria a porta. Natasha não dava a vez para ninguém. O meu primeiro carinho tinha que ser para ela. Para isso usava de todos os artifícios. Abanava com vigor seu cotoquinho de rabo, deitava-se no chão de barriga para cima, faiscava seus olhos de maneira irresistível.

 

Essa atitude sistemática da Natasha foi me conquistando inteiramente. Sem que eu me desse conta, passei a entrar furtivamente em casa na volta do trabalho, me esconder atrás de algum móvel e começar a imitar cabritos, bois e outros animais, para chamar a sua atenção. Ficava escondido assim até ser encontrado por ela. Quando isso acontecia, começava um festival de carinhos de ambas as partes. Num instante eu já a estava chamando de filha.

 

Natasha logo dominava todos os detalhes do seu território, seja no apartamento em que passou a morar quando se incorporou à família, seja nas demais residências que tivemos ao longo da sua existência. Tinha o seu banheiro particular, sempre na área de serviço e o seu local sagrado para dormir durante a noite: a nossa cama. Disso ela não abria mão. Não havia chance de outra alternativa, sob pena de ninguém conseguir dormir na casa. Durante o dia, deitava-se freqüentemente num ponto estratégico, do qual podia controlar a maior parte dos movimentos da casa. Dali observava tudo, mantendo-se sempre muito bem informada.

 

Desde que ela chegou, deixou claro que era boa de boca. Tinha muito apetite e nunca recusava uma refeição. Seu prato básico era ração balanceada, mas seu gosto era bastante eclético, passando por comida caseira, biscoitos, frutas, sorvetes, queijos e por aí vai. Essa característica deu-lhe uma saúde invejável e exigia permanente atenção para evitar exageros que poderiam lhe trazer transtornos, pois o fígado canino não costuma suportar excessos.  (continua...)

NATASHA QUERIDA (2/3)

Com o passar do tempo, Natasha foi desenvolvendo uma enorme capacidade de se comunicar. Aprendeu a “falar” muita coisa. Claro que sua habilidade de se comunicar começou pelos pedidos de comida e água. O processo nesse caso consistia em latir de uma forma bem característica, que repetia o tempo que fosse necessário, ao mesmo tempo em que batia seguidamente com uma patinha dianteira na vasilha a ser abastecida. Completando a comunicação, usava o olhar para não deixar dúvida quanto ao seu pedido. Processo semelhante ela empregava para pedir colo e para pedir para ser posta na nossa cama. Havia momentos em que dava a impressão de ia falar mesmo, tal a inflexão que dava aos sons que emitia.

 

Da mesma forma que sabia dizer o que queria, entendia praticamente tudo que era dito para ela ou a seu respeito. Nesse sentido, seu “vocabulário” era bastante extenso. Natasha adorava passear. Assim que ouvia o convite para um passeio, ou simplesmente a palavra passeio, levantava as orelhas, pendia a cabeça para o lado como quem quer escutar e entender melhor o que está sendo dito, agitava vigorosamente o seu cotoquinho de rabo, corria para o local onde estava a sua coleira e de lá começava a latir para chamar a pessoa que tinha feito o convite. E, de quebra, ainda posicionava o seu pescoço de modo a facilitar a colocação da coleira. Particularmente, o passeio de carro era o máximo para ela. Em geral, ficava no colo da minha mulher prestando atenção a tudo.

 

Ouvir as palavras banho ou toalha fazia com que ela sumisse de circulação. Antes de decorrida uma meia-hora, ela só podia ser encontrada escondida debaixo de algum móvel, de onde só saía depois de muito protesto. Para levá-la para o banho sem dificuldade minha mulher desenvolveu artifícios tais como falar em inglês ou se referir a ela como se fosse uma outra. Ritinha, por exemplo. Paradoxalmente, para Natasha, ficar suja, nem pensar.

 

Ser repreendida por ter feito alguma coisa errada era algo terrível para ela. Sua fisionomia mudava, ficando de olhar baixo, orelhas caídas e um andar derrubado. Saía de fininho e ia se deitar num canto até que alguém a chamasse. Isso acontecendo, levantava-se imediatamente e, com a habitual alegria plenamente restabelecida, voltava a se comportar como se nada tivesse ocorrido.

 

Sua capacidade de se expressar foi se desenvolvendo de uma forma impressionante. Ela se tornava irresistível quando se sentava, ficando com as costas rigorosamente na vertical. Completando essa performance, colocava as duas patinhas dianteiras junto ao peito, sorria com os olhos, entreabria a boca de forma a permitir que a ponta da sua língua, vermelhinha, contrastasse com o seu pelo claro e choramingava de modo cativante. Usava esse artifício normalmente em duas situações: quando estava na coleira, na rua, e via algo que lhe chamasse a atenção, principalmente a minha aproximação, voltando para casa, ou quando via a família reunida na mesa fazendo uma refeição e queria também ganhar algo para comer. Nos dois casos sua vitória era total. Sem dúvida, sabia jogar com os nossos sentimentos. Uma verdadeira artista.

 

Para que pudéssemos sair deixando-a em casa, minha mulher descobriu que a forma de mantê-la tranqüila e sossegada era colocar uma roupa ou toalha usada por ela ou por mim no chão ou na nossa cama, para ela tomar conta. Ela se deitava em cima e lá ficava até que voltássemos. Nesse período, se alguém tentasse tirá-la do lugar, teria que enfrentar a sua ira.

 

Quando estava com quase quatro anos, foi mãe pela primeira e única vez na vida. Deu à luz cinco filhotes. Eu estava viajando. Minha mulher me enviou um fax informando que eu tinha me tornado avô, que a Natasha havia me dado cinco netos. E não é que eu me senti mesmo um avô!  Como era de se esperar, Natasha foi uma mãe exemplar, cuidando de sua numerosa prole com muita dedicação. Não é comum uma poodle, que não pesava mais de quatro quilos, ter cinco filhotes em uma só ninhada. Mas ela deu conta do recado brilhantemente. Depois dessa ocasião, nunca mais teve oportunidade de ter outros filhos, mas nem por isso perdeu seu espírito maternal. Quando já estava com onze anos, minha mulher trouxe para casa uma outra poodle-toy que se encontrava numa situação delicada e estava precisando de um novo lar. Tratava-se da Fifi. Ela era ainda novinha, pouco mais do que um filhote. Os sentimentos da Natasha foram então postos à prova. Se sentiu ciúme, guardou-o para si, pois jamais perdeu a elegância e a altivez. Muito menos maltratou a recém-chegada. Ao contrário, tratou-a com respeito, dividindo com ela seu espaço, evidenciando assim a nobreza do seu caráter e a confiança que depositava em nós e em si mesma.  (continua...)

NATASHA QUERIDA (3/3)

Natasha tinha muita coragem. Jamais amarelou. Isso nos obrigava a ter redobrada atenção sempre que saíamos com ela. Certa vez enfrentou uma cadela pastor-canadense, muitas vezes maior do que ela. Nesse confronto desigual, levou uma mordida na barriga, que só por sorte não lhe tirou a vida, pois não atingiu seus ossos nem algum órgão interno. Mas lhe custou um enorme corte que exigiu quarenta pontos para ser suturado. A pronta ação de socorro e a sua saúde de ferro lhe salvaram a vida. Este não foi o único susto que a Natasha nos pregou. Mas foi o maior. Sua companhia era muito valiosa para nós e fazíamos tudo o que era possível para mantê-la.

 

O tempo, entretanto, é implacável. Cada espécie tem a sua cronometragem específica de vida. No caso de um cachorro, cada ano seu corresponde a cerca de sete anos dos humanos. Assim, os quase quatorze anos que a Natasha já atingira, significavam na contagem dos humanos mais de noventa. Mesmo com sua saúde invejável, sua coluna passou a lhe incomodar e suas perninhas começaram a fraquejar. Apesar de ter sido medicada para aliviar esse desconforto, num certo dia em que foi fazer a tosa, teve início o seu fim. Estávamos em casa quando o telefone tocou e nos foi passada uma notícia que não imaginávamos receber: durante o banho, Natasha tinha ficado totalmente mole e não estava mais se sustentando nas pernas. Tinha ficado tetraplégica. Restava apenas saber se o processo era reversível ou não.

 

Os primeiros dias, em que ela permaneceu na clínica, foram terríveis. Rezávamos por uma boa notícia que não vinha. Temíamos que a não evolução positiva do seu quadro fosse decorrente da possibilidade de ela estar se sentindo abandonada. Então, a levamos para casa e a submetemos a um rigoroso esquema de medicação e fisioterapia, mas ela também não reagiu. Pesava contra si sua idade avançada.

 

Em seguida, foi constatado que ela tinha uma hérnia de disco. Chegamos então ao momento de uma difícil decisão: operá-la da coluna ou deixá-la no estado em que estava para esperar que o seu organismo possivelmente reagisse. Essa decisão não poderia demorar, sob pena de se ultrapassar um limite de tempo dentro do qual a operação poderia ter alguma chance de sucesso. Por isso, autorizamos a cirurgia. Apesar de debilitada pela idade e pelo sofrimento, Natasha passou extremamente bem pela operação, dando a todos uma esperança de recuperação. Mas essa esperança durou pouco e logo foi ficando claro que não havia chance para ela.

 

Mesmo na situação crítica em que se encontrava, Natasha não perdeu aquele seu olhar de confiança em nós, nem deixou de externar a sua satisfação em nos ver, agitando o seu cotoquinho de rabo. Tampouco perdeu a sua noção de higiene. Quando queria fazer xixi, latia pedindo ajuda. Levada para o seu banheiro e ficando suspensa pelas nossas mãos, ainda encontrava forças para abrir e levantar as pernas traseiras de modo a não se sujar. Quando seus chamados não eram ouvidos e acabava por molhar a sua cama, não parava de latir enquanto o forro não fosse trocado.

 

Essa parte final da sua vida seguiu um processo rápido e irreversível. Seu apetite, marca registrada de toda a sua existência, foi desaparecendo. Ela foi definhando. Só conseguia manter seu olhar tranqüilo, que continuava a transmitir bondade e confiança. Até que num dado momento Natasha partiu. Nossa dor foi imensa. Ficamos também com uma terrível dúvida: a operação teria sido a decisão mais adequada? Ela poderia ter se recuperado naturalmente se não tivesse sido submetida à cirurgia? Só Deus saberia responder corretamente essas questões. Uma certeza que temos é que fizemos o que julgávamos ser o melhor para ela, pois não seria justo que ela permanecesse sem a capacidade de se mover. Temos também a certeza de que a Natasha foi a cachorrinha mais feliz deste mundo-cão. Apenas isso nos conforta.

 

Todos nós sofremos muito com a sua morte. Percebemos que uma relação tão profunda entre humanos e cães apresenta um ponto fraco, impossível de transpor: a diferença de perspectiva temporal de vida. Dificilmente um cão chega aos quinze anos de idade. Por isso, com certeza, alguém vai sofrer muito, em algum momento. Entretanto, a experiência que vivi, me permite dizer que o exemplo de caráter, lealdade, dedicação, bondade, coragem, amor ilimitado e de tantas outras qualidades que um cachorro transmite a nós, humanos, supera amplamente esse inconveniente. Pensando bem, que inconveniente? Se alguém pode sentir tão intensamente a morte do seu cachorro é porque sua alma captou os ensinamentos recebidos desse seu amigo e está mais próxima do Criador.

 

Assim partiu a Natasha querida, minha filha. O brilho que ainda restava nos seus olhos se apagou. Meu coração, no entanto insiste em me dizer que, na verdade, esse brilho apenas mudou de lugar e restabeleceu seu esplendor para toda a eternidade. Por isso, sempre que posso, fixo os meus olhos no céu, pois sei que vou acabar identificando uma nova e brilhante estrela cintilando no firmamento, sempre ao alcance da minha vista, até o final dos meus dias. Aí então, sei que vamos de novo nos encontrar.

 

 

P.S.: Esta é uma sincera homenagem a Natasha, que durante toda a sua existência (☼ 18/10/1991 - † 03/05/2005) só trouxe alegrias e deu bons exemplos a todos os que tiveram o privilégio de conhecê-la, para que a sua passagem pela Terra tenha um registro perene.

"Gratidão é a memória do coração"

Autor: ditado francês

VERDE

Foto de N. Cotrim

 

Registro de uma integração da beleza da natureza com a ação do homem, compondo um conjunto harmonioso em verde. (Zurique, Suíça)

 

Bom fim de semana a todos...

SERÁ?

 

Uma juíza de São Paulo determinou que seja cassada a aposentadoria do cleptomaníaco e ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP) Nicolau dos Santos Neto, além de outras penalidades. Ainda é cedo para comemorar o fato, mas vale a pena torcer para que esta punição prevaleça. Nada específico contra esse indivíduo. A torcida é para a moda pegar, sendo aplicada em todos os casos de desvio de dinheiro público, sem prejuízo das demais penalidades cabíveis. Esse dinheiro desviado pelos inescrupulosos é o que poderia ser aplicado em escolas, hospitais, segurança pública, infraestrutura, saneamento, etc., e é o mesmo que sai do trabalho de cada um de nós. Só para lembrar, no caso do Nicolau, o desvio foi de R$ 169 milhões. Será que ele merecia ainda receber aposentadoria, que por sinal também é financiada pela nossa contribuição?

"Cleptomaníaco: ladrão rico. Gatuno: cleptomaníaco pobre."

Autor: Barão de Itararé

Buscar na Web "Barão de Itararé"

Quando: (1895-1971)

Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, o Barão de Itararé. Jornalista, escritor e pioneiro no humorismo político brasileiro.

PETRÓLEO: AUTO-SUFICIÊNCIA EM 2006

 

Enfim, uma boa notícia. A auto-suficiência de petróleo deverá ser atingida no primeiro trimestre de 2006. A produção brasileira deverá alcançar a média de 1,85 milhão de barris por dia, para um consumo da ordem de 1,80 milhão de barris por dia. Assim, a expectativa é que o preço da gasolina possa deixar de seguir as flutuações e os humores dos preços internacionais e do câmbio, devendo ter maior estabilidade, com benefício para a economia.

 

A novidade seria ainda melhor se também fosse anunciada uma fiscalização mais rigorosa da qualidade da gasolina vendida nos postos do país. Infelizmente, a quantidade de fraudes que atualmente acontece é enorme, causando grande prejuízo para os consumidores. A desculpa recorrente para este estado de coisas é que o número de fiscais é insuficiente para cobrir todos os postos. Além disso, os fraudadores flagrados sofrem penas muito leves, podendo inclusive voltar a operar no ramo. Para minimizar as fraudes, duas medidas poderiam ser implantadas: o fechamento definitivo dos postos tão logo ficasse comprovada uma fraude, já na primeira ocorrência, com impedimento também definitivo do responsável pela comercialização do combustível, e multar pesadamente a distribuidora responsável pelo abastecimento do posto, podendo, nas reincidências, chegar à cassação da sua autorização para funcionamento. Assim, as próprias distribuidoras fiscalizariam os postos da sua bandeira e selecionariam melhor os donos dos seus postos. Nós, os desprotegidos, agradeceríamos penhoradamente.

"Não existe crime organizado. O que existe é estado desorganizado."

Autor: John Kenneth Galbraith

Buscar na Web "John Kenneth Galbraith"

Quando: (1908-    )

John Kenneth Galbraith , economista, escritor político, nascido no Canadá, naturalizado norte-americano. Leia a entrevista para a revista Dinheiro na web.

PT x GOVERNO

 

Que o PT nunca foi um partido com uma linha de pensamento com um razoável nível de coerência não é novidade para ninguém. Sempre foi palco de muitas lutas internas,  pois a legenda abriga as mais variadas tendências da esquerda, desde as mais lúcidas até as mais radicais e incapazes de pensar e de observar as mudanças que vêm ocorrendo no mundo e o fracasso dos regimes autoritários e burocráticos que um dia foram os seus ícones. Chega a ser ridículo ainda acreditar que o regime de Fidel, por exemplo, seja um modelo a seguir. Ainda mais num país como o nosso.

 

A vanguarda do atraso do partido continua a se opor à política econômica, uma das poucas coisas  positivas no governo Lula, apesar do nível realmente exagerado dos juros. Investe também contra o superávit primário, necessário à redução da dívida pública e à organização da economia de forma sustentada, mas não diz uma palavra sequer contra o aumento das despesas de custeio do país, mesmo sendo esse aumento absolutamente improdutivo e exagerado. Ao contrário, deseja a total paralisação das privatizações e o crescimento do Estado, mesmo diante de todas as evidências de que este é o cenário ideal para a corrupção e a inoperância. Também fica muda quanto ao medíocre desempenho do governo nas áreas de segurança pública, saúde, educação, saneamento, infraestrutura, etc. Defende movimentos retrógrados e oportunistas como o MST e se opõe ao agronegócio tratado empresarialmente, que tem melhorado a qualidade de vida no campo e que tantas divisas tem trazido para o país. E por aí vai.

 

Quem tem um aliado como o PT nem precisa de oposição. Por isso, o governo, que já é muito ruim, ainda precisa gastar tempo para conter o fogo amigo que não cessa de partir da sua principal base. O lado bom disso tudo, é que os brasileiros estão podendo observar com clareza essa briga interna que sempre existiu no PT e que dificulta a execução de qualquer projeto. O Brasil merece e precisa de coisa melhor.

"A burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor."

Autor: Roberto Campos

Buscar na Web "Roberto Campos"

Quando: (1917-2001)

Roberto de Oliveira Campos, economista, diplomata e professor, eleito em 23 de setembro de 1999 para a Cadeira nº 21 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Dias Gomes. Leia o Especial sobre Roberto Campos no Estadão.

CONSEQÜÊNCIA DO POPULISMO

  Favela da Rocinha - Rio de Janeiro, RJ (foto: O Globo)

 

Basta começar a estação das chuvas para voltar à baila discussão sobre a precariedade de uma boa parcela das habitações da população de renda mais baixa, situadas em áreas de risco tais como encostas dos morros do Rio e da sua região metropolitana . As tragédias se sucedem todos os anos, sem que nenhuma medida realmente transformadora seja tomada. Isto ocorre porque não há fiscalização para evitar a ocupação de áreas públicas ou privadas que não poderiam ser utilizadas para moradia, em muitos casos por interesse de políticos inescrupulosos, que fazem desses guetos seus currais eleitorais, enganando as suas vítimas com migalhas de pseudoajuda, da mesma forma como agem os traficantes que instalam suas bases em locais próximos, mas sem os mesmos riscos. Nesse particular, o Rio é imbatível, devido à série de governos populistas que os cariocas tiveram e estão tendo. A favelização do Rio é espantosa. Além do já foi dito, contribui para esse crescimento do número e do tamanho das favelas o custo e o tempo gasto com transporte, caso seus habitantes optassem por morar mais longe, porém em melhores condições de conforto e de segurança. Por isso, governos sérios prestariam um grande serviço à população se estruturassem um sistema eficiente de transporte integrado, que permitisse aos seus usuários chegar rapidamente e a um custo baixo aos seus locais de trabalho, mesmo morando longe. Muitas das principais cidades do mundo dispõem de sistemas integrados realmente bons. Podíamos copiar um desses bons exemplos, que seja mais compatível com a nossa disponibilidade de recursos. Talvez não seja preciso um investimento muito alto. Será, isto sim, necessário fazer um melhor planejamento da utilização dos meios existentes, implantar uma fiscalização rígida e, com certeza, contrariar muitos interesses.

"Pense grande. Quem já ouviu falar em Alexandre, o Médio?"

Autor: Giles Montgomery

Buscar na Web "Giles Montgomery" 

FALANDO SOBRE QUALIDADE

O TQM banalizado se tornou moda e fracassou. O modismo acabou, mas o movimento pela qualidade não. Os que afirmam que o TQM está morto e a qualidade é coisa do passado nunca entenderam o significado desses conceitos. O que é, então, a filosofia da qualidade? A resposta está em 6 princípios:

 

1. Concentrar-se no cliente externo - Precisamos entender as necessidades do cliente e nos envolver na elaboração, no desenvolvimento e no fornecimento de produtos e serviços que encantem o cliente.

 

2. Entender e administrar os sistemas - Tudo é sistema, e nós fazemos parte dele. Não podemos entender quais são os problemas, descobrir como resolve-los, saber como executar um bom trabalho e satisfazer os clientes, a menos que compreendamos os sistemas.


3. Entender e utilizar dados - Precisamos compreender nossos sistemas mediante o entendimento de variações e das suas causas. É preciso pensar em termos estatísticos.

 

4. Entender as pessoas - Tendemos a ter opiniões muito simplistas sobre as pessoas. Devemos procurar vê-las com mais profundidade, entendê-las melhor.

 

5. Saber melhorar - Somos bons em mudar as coisas, mas somos, em geral, um desastre em melhorá-las. Há à nossa disposição um enorme legado de metodologias eficazes de melhoria da qualidade.

 

6. Ter direção e foco - Em nossas empresas, tendemos a explorar um centímetro de profundidade e um quilômetro de largura – são muitas as prioridades e todas realizadas inadequadamente. Precisamos aprender a nos concentrar, explorando um centímetro de largura e um quilômetro de profundidade.

 

Esses 6 princípios deveriam fazer parte de todo programa de qualidade.

 

ENTRE ASPAS

 

"As empresas vencedoras do Prêmio Malcolm Baldrige apresentam em comum o aumento do treinamento dos funcionários em qualidade, a redução do número de fornecedores, a diminuição dos custos relativos a garantias e o aumento da sua produtividade."

(Joel D. Wisner, professor americano)

"É fundamental haver uniformização do entendimento dos conceitos, da nomenclatura e dos indicadores que permitem o controle dos processos de produção, manutenção, utilidades, qualidade, etc. para que se possa efetivamente administrar uma empresa. É também essencial que o número de indicadores não seja excessivo. É preciso que eles sejam representativos e meçam bem o desempenho daquilo que se quer controlar."

(QM Consultores Associados)

"A qualidade e a produtividade são faces da mesma moeda. Tudo o que se faz pela qualidade aumenta a produtividade."

(Lee Iacocca, executivo americano)

Os textos apresentados nesta seção são um extrato de trabalhos publicados em livros e revistas especializadas em administração.

MINISTRO SEVERINO

 

Chega a ser um deboche a atividade atual do ex-deputado Severino Cavalcanti: ministro informal das Cidades. A situação de ministro informal é por si só inaceitável e não pode existir em nenhum governo sério, que se respeite e que respeite os brasileiros. Além disso, é óbvio que tal arranjo é um abrigo para maracutaias com o nosso dinheiro. No caso do Severino, com o seu currículo amplamente divulgado em passado recente, o fato é uma afronta a todos nós. O governo Lula é inclusive reincidente nesse tipo de concessão. Lembram-se do trânsito livre do Delúbio Soares e do Sílvio Pereira no gabinete do super ministro José Dirceu? O resultado vocês já sabem. Parece que o governo ainda não compreendeu o seu papel e a sua responsabilidade perante o país. Age como se fosse a Casa da Mãe-Joana e que não precisasse dar satisfação a ninguém. Está faltando um mínimo de compostura. Enquanto isso, somos brindados diariamente com sessões de auto-elogio do presidente, nos seus discursos vazios e freqüentemente sem sentido feitos pelo país afora, motivados pelas razões  mais fúteis. E ele ainda acha que a oposição é golpista!

"Não há nada mais inflacionário do que a corrupção."

Autor: desconhecido

"República Encolhida"

http://oglobo.globo.com/jornal/colunas/miriam.asp

Classificação:

AZIMUTH recomenda a leitura deste excelente artigo de Míriam Leitão, publicado na sua coluna em 11/12/05, em O Globo.

TURISMO É BOM NEGÓCIO

Um dos mais graves problemas que o país precisa resolver é o do desemprego. A busca de soluções necessariamente tem que passar pela análise dos nichos de mercado com potencial a desenvolver. No nosso caso, o turismo aparece como uma alternativa extremamente viável. O Brasil é um belo país, com os mais variados tipos de paisagem, um povo alegre e hospitaleiro, com hábitos e cultura apresentando acentuados traços regionais, várias cidades que preservam o aspecto que tinham no período colonial, uma fauna e uma flora extremamente ricas e um clima muito favorável. Até para nós, brasileiros, o país surpreende a cada dia, quando vemos na TV ou na imprensa recantos, grutas, rios, lagos, canyons, praias, cachoeiras, montanhas, sítios arqueológicos etc., nos parques nacionais ou fora deles, sobre  os quais nunca tínhamos ouvido falar. Por outro lado, há inúmeras festas ou festivais regionais e grande variedade de artigos artesanais, que demonstram de forma vigorosa a diversidade cultural existente.

 

Tudo isso é uma excelente matéria-prima para o incremento do turismo interno e externo. Mas, para que o setor se torne uma importante fonte de recursos e de empregos no Brasil, é preciso que seja tratado de forma profissional e com a devida prioridade, para tornar realidade sua capacidade de promover o desenvolvimento e a melhoria da qualidade de vida da população afetada por ele.

 

Beleza natural por si só não sustenta o turismo. O que faz o turismo florescer é serviço. E nisso, ainda estamos muito mal. Há necessidade de preparar pessoal para todos os níveis e funções, melhorar a divulgação de informações para os turistas, melhorar a infra-estrutura (serviços nos aeroportos, hotéis, guias, mapas, transporte, acessos aos locais a visitar e infra-estrutura nesses locais – ex.: banheiros limpos, postos de informação), evitar que sejam explorados, proporcionar segurança e sensação de segurança aos visitantes, e várias outras ações do gênero. Adicionalmente, tratar o artesanato de forma integrada com os programas de desenvolvimento do turismo, pode ajudar a gerar milhares de empregos para a mão-de-obra de baixa escolaridade que é responsável pela produção de muitos desses artigos.

 

Há muito que fazer. Não é um trabalho só do Governo Federal, é lógico. Mas o Governo Federal deve ser o grande impulsionador desse ramo de atividade no país, transformando-o em prioridade, contratando especialistas nos países que tenham larga experiência no setor, orientando e coordenando a ação dos estados e municípios e criando instrumentos para fiscalizar a qualidade dos serviços. A iniciativa privada com certeza fará sua parte.

Escrevinhações

http://lidosevividos.zip.net/

Classificação:

AZIMUTH recomenda uma visita a este ótimo blog da amiga Saramar, de Goiânia. Vale o click!


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